Curitiba - Na convivência, o casal percebe que algo secreto começa a surgir: uma imagem vai se formando. Como se o amor fosse um artesão paciente montando um quebra-cabeça de madeira. A cada nova peça colocada, vai-se revelando um pouco mais de uma imagem surpreendente. O casal vivencia emoções sublimes de conexão. É visceral, arrebatador.

O encaixe perfeito
Muitas peças desse quebra‑cabeça se encaixam de imediato, perfeitamente. Um encaixe que traz a sensação para o casal de terem sido feitos um para o outro, como se seus encontros tivessem sido sonhados antes de existirem. Quando se tocam, algo vibra, canta e dança, como se o universo dissesse: “aqui há harmonia.”
Peças com cantos que arranham
Mas, de repente, surgem algumas peças nesse quebra-cabeça que exigem pequenos ajustes. São peças com cantos que arranham, com formas que não cedem de primeira e que precisam ser suavizadas para permitir o encaixe. Elas pedem cuidado, pedem pausa, pedem mãos que saibam sentir e acariciar. Não exigem força, exigem ternura.
O poder de uma lixa suave
O casal, como hábil artesão desse quebra‑cabeça que forma a sua imagem, descobre que, com o atrito de uma lixa suave, feita de palavras gentis, de silêncios e diálogos acolhedores, gestos que não ferem, é capaz de aparar o que ainda não sabe se encaixar.
A lixa que destrói
Mas é preciso cuidado: a lixa não pode ser de aço, dura, ríspida, impaciente. Essa não ajusta nada, só destrói. E o que antes era promessa de beleza pode-se perder em farpas. Em vez de aparar as arestas das peças disformes para o encaixe perfeito, que revela a bela e única imagem do casal, uma lixa de aço pode destruir a própria imagem.
Movimentos de ternura
Não se trata de luta nem disputa, não é mando nem comando. São os movimentos de ternura que favorecem o encaixe das peças, tanto das que se unem naturalmente quanto das que precisam de algum ajuste. O amor verdadeiro se fortalece nos movimentos de entrega e doação de um ao outro.
Experiência de conexão emocional
Assombrados diante da sua imagem de casal que vai surgindo, os dois percebem que o vínculo não é teoria, não é técnica, não é manual. É revelação! Não é mero aprendizado cognitivo, mas uma experiência de conexão emocional. Não é algo que adquirem ou aprendem em algum lugar. É a tomada de consciência de uma capacidade que aflora da vida mesma, que se ativa e se renova no encontro e na permanência.