Curitiba - O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou nesta segunda-feira (19) que três dos 21 cursos de Medicina do Paraná submetidos ao Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) tiveram “resultado insatisfatório”. É considerado um desempenho insatisfatório quando a graduação obtém notas 1 ou 2 no teste, que vai até 5. No país, cerca de um terço dos cursos de Medicina foi mal avaliado no Enamed.

Imagem gerada por inteligência artificial mostra estudante de Medicina no Brasil
Cursos de Medicina foram avaliados pelo Enamed: desempenho foi insatisfatório em 30% das graduações no país. (Foto: IA/Freepik)

Com conceito 2, os cursos paranaenses de Medicina que não alcançaram desempenho proficiente no exame foram:

  • Universidade Federal da Integração Latinoamericana (Unila), de Foz do Iguaçu;
  • Universidade Paranaense (Unipar), de Umuarama;
  • Centro Universitário Ingá (Uningá), de Maringá;

Na outra ponta, seis graduações de Medicina do estado alcançaram a nota máxima (5) na avaliação. São elas:

  • Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Toledo;
  • Universidade Estadual de Maringá (UEM);
  • Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG);
  • Universidade Positivo (UP), em Curitiba;
  • Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), em Guarapuava;
  • Faculdades Pequeno Príncipe (FPP), em Curitiba.

As demais escolas de Medicina do Paraná avaliadas foram:

Conceito 4

  • Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba
  • Universidade Estadual de Londrina (UEL)
  • Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Curitiba
  • Universidade Cesumar (Unicesumar), em Maringá
  • Centro Universitário Assis Gurgacz (FAG), em Cascavel
  • Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (Fempar), em Curitiba
  • Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel
  • Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Francisco Beltrão
  • Centro Universitário Campo Real, em Guarapuava

Conceito 3

  • Centro Universitário Integrado de Campo Mourão
  • Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em Londrina
  • Centro Universitário de Pato Branco (Unidep)

Em todo o país, 99 cursos foram mal avaliados e poderão sofrer sanções do Ministério da Educação (MEC). A nota do Enamed é utilizada para compor o conceito Enade. Segundo o MEC, 351 cursos de todo país participaram do exame, incluindo universidades públicas (federais, estaduais e municipais), privadas com e sem fins lucrativos e especiais.

Das 351 instituições avaliadas, 304 estão sob o crivo do MEC – são as universidades federais e as privadas com e sem fins lucrativos. Estaduais e municipais não podem ser supervisionadas pela pasta.

Consequências do desempenho insatisfatório no Enamed

Os cursos que tiveram notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias, vão ser punidos com suspensão do vestibular, redução na oferta de vagas e restrição no acesso aos recursos do Financiamento Estudantil (Fies).

Entre os 99 cursos mal avaliados, oito terão o vestibular suspenso; outros 13 cursos terão redução de 50% das vagas; 33 terão redução de 25% das vagas. Além disso, esses cursos terão a suspensão do Fies e haverá uma avaliação em relação à continuidade de outros programas federais. Os 45 cursos restantes serão proibidos de ampliar suas vagas.

A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) vai instaurar um processo administrativo de supervisão dessas instituições. As universidades poderão recorrer sobre os resultados e apresentar justificativas ao MEC, que avaliará os argumentos. Caso o MEC não aceite a justificativa, as sanções devem valer até a obtenção de um novo conceito no Enamed no ano seguinte.

Escolas de Medicina têm o direito de se defender, diz ministro da Educação

O Enamed foi criado pelo MEC em abril do ano passado para substituir o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) para Medicina. Com isso, houve uma ampliação da prova, que passou de apenas 40 questões para 100. O Enamed é aplicado para todos os estudantes concluintes da área e a partir de 2026 será aplicado também no 4º ano do curso.

Questionado sobre a possibilidade de que instituições privadas contestem os resultados na Justiça, o ministro Camilo Santana afirmou que é um direito recorrer à via judicial, mas destacou a transparência do processo. Ele disse ainda, que as universidades poderão dialogar com o próprio MEC.

“Todas as instituições vão ter o direito de se defender e apresentar suas justificativas. Queremos que a instituições corrijam o que tem de ser corrigido”, disse o ministro da Educação, Camilo Santana.

Considerando o tipo de instituição, o pior desempenho no Enamed foi verificado nas universidades municipais, que não estão sob regulação do MEC. Em seguida, aparecem as instituições privadas com fins lucrativos, que serão sancionadas pela pasta.

O ministro da Educação afirmou que o governo vai enviar uma proposta ao Congresso para que o MEC tenha atribuição para supervisionar também as universidades municipais.

“Não é caça às bruxas, punição de ninguém. É garantir que principalmente instituições que cobram do aluno, que cobram mensalidades caras, possam ofertar curso de qualidade nesse país”, afirmou o ministro Camilo Santana.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu as medidas tomadas pelo MEC. Para ele, o Enamed traz o melhor diagnóstico da formação médica no País.

“A formação médica é decisiva para um SUS de qualidade. Ter médicos bem formados, que seguem as novas diretrizes construídas pelo MEC e pelo Conselho Nacional de Educação, é muito importante”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Além das informações sobre os cursos, o MEC também divulgou os dados da proficiência dos estudantes. De acordo com a performance observada na prova, 67% dos 39.258 estudantes que estão se formando em Medicina e foram avaliados têm desempenho desejável.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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Sérgio Luis de Deus

Editor

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE