A Imperatriz Leopoldinense, nove vezes campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, já definiu o enredo com o qual vai desfilar na Marquês de Sapucaí em 2026. A escola da Zona da Leopoldina vai homenagear o cantor Ney Matogrosso, um dos artistas mais revolucionários da música brasileira, conhecido pela ousadia estética, liberdade artística e postura transgressora.

foto de ney matogrosso na escola de samba imperatriz leopoldinense
Ney Matogrosso em visita a agremiação (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Com o título “Camaleônico”, o enredo propõe um mergulho na trajetória multifacetada de Ney, exaltando seu perfil rebelde, transformador e avesso a rótulos. A narrativa vai destacar as muitas faces do artista, entre o humano e o mítico, o masculino e o feminino, o silêncio e o grito, refletindo sua constante reinvenção ao longo da carreira.

O desfile da Imperatriz Leopoldinense promete celebrar liberdade, arte e identidade

O desfile será assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, responsável por grandes trabalhos recentes no Carnaval carioca. A proposta é transformar a avenida em um grande manifesto de liberdade, arte e identidade, valores que marcam a história de Ney Matogrosso.

Em dezembro, aos 84 anos, o homenageado fez questão de acompanhar de perto os preparativos da escola e esteve presente em vários ensaios da Imperatriz, realizado em Ramos, na Zona Norte do Rio.

Confira o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense 2026

O samba-enredo que embalará o desfile foi escolhido e será interpretado por Pitty de Menezes. A composição é assinada por Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antônio Crescente, Bernardo Nobre, Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrosio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna e Wilson Mineiro.

“Sou meio homem, meio bicho
O silêncio e o grito
Pássaro, mulher que pinta a verdade no rosto
Traz a coragem no corpo e nunca esconde o que é
Pelo visível, indefinível
Ressignifica o frágil
O que confunde é o desbunde do que desafia o fácil
Canto com alma de mulher
Arte que sabe o que quer
E não se esqueça
Eu sou o poema que afronta o sistema
A língua no ouvido de quem censurar
Livre para ser inteiro
Pois, sou homem com H e como sou…

O bicho, bandido, pecado e feitiço
Pavão de mistérios, rebelde, catiço
A voz que à cálida rosa deu nome
A força de Athenas que o mal não consome
O sangue latino que vira, vira, vira lobisomem
Eu juro que é melhor se entregar ao jeito felino provocador
Devoro pra ser devorado
Não vejo pecado ao sul do Equador

Se joga na festa, esquece o amanhã
Minha escola na rua pra ser campeã!
Vem meu amor
Vamos viver a vida
Bota pra ferver
Que o dia vai nascer
Feliz na Leopoldina”

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Jessica Ibrahin

Repórter

Jéssica Ibrahin é formada em Jornalismo e pós-graduada em Ciência Política pela UNICAP. Atuou em redações de rádio, TV e portais de notícia, com experiência em entrevistas e reportagens sobre política, cultura e comportamento.

Jéssica Ibrahin é formada em Jornalismo e pós-graduada em Ciência Política pela UNICAP. Atuou em redações de rádio, TV e portais de notícia, com experiência em entrevistas e reportagens sobre política, cultura e comportamento.