O ministro André Mendonça, segundo indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, foi sorteado nesta quinta-feira (12) como novo relator do caso envolvendo o Banco Master. Ele assume o posto após o ministro Dias Toffoli deixar a condução do processo em meio à crise aberta pela divulgação de relatório da Polícia Federal (PF) que cita seu nome.

Mendonça foi avaliado por Bolsonaro como “terrivelmente evangélico”
Indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, André Mendonça foi apresentado pelo então presidente como um ministro “terrivelmente evangélico”. Agora, como relator do caso, cabe a ele conduzir o processo, analisar os pedidos das partes e elaborar o relatório que servirá de base para o julgamento em plenário.
Evangélico ligado a uma denominação considerada mais progressista em comparação a outras vertentes, Mendonça foi descrito como um “técnico idealista” por fontes ouvidas pelo Estadão quando assumiu o comando da Advocacia-Geral da União (AGU), em julho de 2019.
Apesar da indicação ao STF ter partido de Bolsonaro, Mendonça não fez campanha aberta para o então candidato em 2018. À época, um perfil seu nas redes sociais demonstrava entusiasmo com a candidatura de Marina Silva, da Rede Sustentabilidade.
Perfil e trajetória de André Mendonça
Nascido em Santos (SP), André Mendonça construiu carreira jurídica em diferentes instituições antes de chegar ao STF. Cresceu em uma família religiosa e viveu em várias cidades paulistas.
Mendonça é formado em Direito, em Bauru (SP), e em Teologia, em Londrina (PR). Fez pós-graduação em Direito Público na Universidade de Brasília e concluiu mestrado e doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha.
Antes de ingressar na Advocacia-Geral da União (AGU) por concurso público, atuou como advogado da Petrobrás Distribuidora entre 1997 e 2000. Na AGU, ocupou cargos como corregedor-geral, adjunto do Procurador-Geral da União e diretor do Departamento de Patrimônio e Probidade, este último após convite de Toffoli. Também passou pela Controladoria-Geral da União (CGU).
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Mudança na relatoria do caso Master
Toffoli deixou a relatoria do caso Master após reunião com os demais ministros. Em nota conjunta, os dez integrantes da Corte informaram que a decisão ocorreu a pedido do próprio ministro.
A mudança veio após a revelação de conversas entre Toffoli e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Após encontrar o material no celular do banqueiro, o diretor da PF, Andrei Passos, encaminhou novos pedidos de investigação ao presidente do STF, Edson Fachin.
Toffoli nega ter recebido valores diretamente de Zettel ou Vorcaro. Colegas de Corte manifestaram apoio ao ministro, afirmando não haver motivo para declará-lo suspeito e reconhecendo a “plena validade dos atos praticados” por ele à frente do caso.
Esta é a segunda vez que um inquérito inicialmente relatado por Toffoli passa às mãos de Mendonça. Em 2025, ele também foi sorteado relator da investigação sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, que vinha sendo conduzida por Toffoli.
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