O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, disse não temer que o avanço das investigações do Banco Master possa acelerar processos de impeachment contra ministros da Corte no Senado Federal.

Edson Fachin; presidente do STF negou crise na Corte devido ao caso do Banco Master
Presidente do STF não retirou Toffoli da relatoria do caso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A declaração foi dada em entrevista ao O Estado de São Paulo, nesta segunda-feira (26).

“Não creio, porque isso significaria uma crise institucional muito grave. Nós teremos condições de tirar aprendizados dessa crise e resolver isso institucionalmente, sem criar uma crise institucional efetivamente grave”, disse Fachin ao Estadão.

Fachin não citou nominalmente nenhum ministro sobre a relação com o Banco Master, mas desde o início do escândalo de corrupção na instituição financeira, os nomes dos magistrados da Corte Alexandre de Moraes e Dias Toffoli têm sido relacionados com a companhia.

A esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prestou serviços advocatícios ao Banco Master nos últimos anos, tendo recebido vencimentos milionários por essas atividades. A Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a arquivar, em dezembro de 2025, um processo que investigava essa relação.

Já Toffoli, que é relator do caso no STF, chegou a receber um pedido de impeachment recente pelo crime de responsabilidade. Reportagem de O Estado de São Paulo mostrou que dois irmãos do ministro foram sócios do cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso desde dezembro, em um resort no interior de São Paulo.

Mesmo com essa relação, Toffoli não deixou a relatoria do caso e, até o momento, não foi pressionado por Fachin a isso.

Anteriormente, Fachin já havia divulgado nota em que defende a permanência de Toffoli na relatoria do caso.

“A seu turno, a Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório, e pela ampla defesa, cumprindo respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, porém, atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo Ministro relator, DIAS TOFFOLI”, afirmou em nota.

Análise das emendas do orçamento secreto é uma das prioridades do STF, diz Fachin

Plenário da Câmara dos Deputados durante votação do PL da Dosimetria
Orçamento secreto do Congresso Nacional deve ser discutido no STF neste ano. (Foto: Bruno Sprada/Câmara dos Deputados)

Ainda na entrevista ao O Estado de São Paulo, Fachin pontuou que uma das prioridades do STF em 2026 é debater as emendas do orçamento secreto, caso que tem a relatoria do ministro Flávio Dino.

Em dezembro de 2022, o STF considerou inconstitucional as emendas parlamentares do Congresso feitas sem a devida transparência. A expectativa é que, somente em 2026, esses recursos possam chegar a R$ 50 bilhões.

O presidente do STF ainda pontuou que pautas como o uso de inteligência artificial e a regulamentação do trabalho por aplicativo também devem ser avaliados com atenção pela Corte em 2026.

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Jorge de Sousa

Editor

Jorge de Sousa é formado em jornalismo desde 2016, pós-graduado em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral e especializado na cobertura de pautas sobre Política, do Paraná e do Brasil, além de matérias sobre Agronegócio e Esportes.

Jorge de Sousa é formado em jornalismo desde 2016, pós-graduado em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral e especializado na cobertura de pautas sobre Política, do Paraná e do Brasil, além de matérias sobre Agronegócio e Esportes.