Curitiba - A Justiça do Estado do Paraná recebeu a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR) contra o policial civil Marcelo Mariano Pereira, de 36 anos, que atirou e matou Antônio Carlos Antunes, de 51, em um bar de Curitiba, no dia 26 de setembro do ano passado. Agora, Marcelo é réu e responde por homicídio duplamente qualificado.

De acordo com o processo em que a Ric RECORD teve acesso, Marcelo Mariano Pereira é acusado de homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de arma de fogo de uso restrito. Além disso, ele também responde por crimes relacionados à posse ou porte de arma de fogo.
No mesmo pedido, o Ministério Público solicitou à Justiça a fixação de um valor mínimo para indenização dos danos causados pelo crime, conforme previsto no Código de Processo Penal.
Em nota, a defesa da família de Antônio disse que a “a família da vítima reafirma sua esperança na Justiça com o recebimento da denúncia”.
“Este é definitivamente um marco importante agora, o policial civil acusado passa a ser oficialmente réu por homicídio duplamente qualificado; temos o início de um processo criminal e o afastamento da hipótese de absolvição sumária pela falsa tese de legítima defesa”, complementou a defesa.
Posicionamento do MPPR contrariou inquérito da PCPR
O entendimento do Ministério Público do Paraná é diferente da conclusão do inquérito final da Polícia Civil, que aceitou a versão apresentada pelo policial e indicou a hipótese de legítima defesa, sugerindo o arquivamento do caso. Conforme apurado na investigação, o policial civil estava de folga e efetuou os disparos contra a vítima no banheiro do bar, após um desentendimento relacionado a um copo de cerveja deixado na pia.

O promotor de Justiça Alexandre Ramalho de Farias explicou que, apesar do posicionamento diverso do inquérito policial, a denúncia foi oferecida “justamente para oportunizar a produção judicial das provas, sob o crivo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal em um Estado Democrático de Direito, verticalizando a análise da ocorrência ou não de eventual legítima defesa e demais desdobramentos”.
Policial matou homem em bar por causa de copo na pia, diz MPPR
O desentendimento que culminou na trágica morte do comerciante Antônio Carlos Antunes ocorreu no BarBaran, localizado na Alameda Augusto Stelfeld, no Centro de Curitiba, na noite de 26 de setembro.
Segundo a filha da vítima, os familiares estavam no estabelecimento há cerca de 45 minutos para comemorar o aniversário dela e ainda aguardavam a liberação de uma mesa, quando o pai decidiu ir ao banheiro.
Imagens de câmera de segurança do bar mostram o policial entrando no banheiro às 20h10. Antunes surge logo depois. Poucos minutos depois, testemunhas ouviram o barulho de um tiro.
Conforme a investigação da Polícia Civil, a confusão entre a vítima e o policial civil aconteceu por causa de um copo de cerveja. Marcelo Pereira colocou o copo que estava na pia no chão antes de lavar as mãos. O policial afirmou que a vítima não teria gostado e começou a agredi-lo. Ele então sacou a arma e disparou.
Antunes foi socorrido com vida e encaminhado ao Hospital Evangélico Mackenzie em estado grave. Foi submetido a procedimentos cirúrgicos devido à gravidade dos ferimentos, mas morreu cinco dias depois. O corpo dele foi velado e sepultado na cidade de Erechin (RS).
Após o incidente, o policial civil Marcelo Pereira deixou o bar escoltado por policiais militares e encaminhado ao hospital para atendimento médico. Ele tinha marcas no rosto, segundo a defesa, compatíveis com uma agressão.
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