Curitiba - Neste domingo (11), o programa Domingo Espetacular apresentou novos detalhes sobre o caso de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos. O jovem ganhou repercussão nacional após ser encontrado com vida depois de passar cinco dias desaparecido na mata do Pico Paraná, ponto mais alto da Região Sul do Brasil.

Em um depoimento comovente, Roberto contou como foram os momentos de tensão vividos após percorrer mais de 20 quilômetros sozinho. Estudante universitário, com formação em bombeiro civil e socorrista, ele relatou que acabou ficando para trás durante a trilha feita ao lado de Thayane Smith Moraes, amiga que o convidou para acompanhar o nascer do sol no local e que ele havia conhecido recentemente, em Curitiba.
Subida ao Pico Paraná é considerada uma das mais exigentes do estado
Embora os primeiros trechos não demandem técnicas avançadas, o percurso exige condicionamento físico, com longas subidas em terreno íngreme. Logo no início da trilha já há riscos, como desníveis camuflados entre pedras, onde qualquer descuido pode resultar em quedas e acidentes.
Dados do Instituto Água e Terra mostram que a visitação às unidades de conservação do Paraná cresceu significativamente nos últimos anos, passando de 192 mil visitantes em 2021 para 545 mil em 2023 — um aumento de 184%. Trilhas e escaladas em morros como o Pico Paraná estão entre os principais atrativos turísticos.
Uma família entrevistada pelo programa afirmou, inclusive, que não recomenda a subida para pessoas sem experiência. Uma lição que Roberto aprendeu da forma mais difícil: ao longo do trajeto, o cansaço se intensificou e ele começou a passar mal, o que agravou ainda mais a situação.
Segundo Fábio, um amigo que estava com a dupla, ele apresentou sinais de desidratação, chegando a vomitar mais de uma vez e ficar com a pele emborrachada. A pouca água que o grupo carregava foi dada ao rapaz. Roberto e Thayane já estavam a 300 metros do cume e decidiram seguir caminho. Deixado para trás pelo grupo, Roberto acabou perdido. Por terra, a mata densa e extensa dificultou o trabalho do Corpo de Bombeiros. Enquanto as equipes procuravam por terra e ar, Roberto enfrentava desafios como nadar contra a correnteza.
Roberto levava uma faca e alimentos na mochila. No terceiro dia, continuou descendo e nadando contra a correnteza. Mais adiante, tropeçou e perdeu óculos e calçados. Roberto seguiu pelo rio até encontrar uma ponte e, em seguida, uma trilha de cerca de 5 km. Ao avistar uma fazenda, começou a gritar por socorro. Vinícius e Guilherme, que trabalhavam na fazenda, o socorreram.
Para a família e socorristas, Roberto teve uma nova chance de viver. Ele foi levado ao hospital em Antonina, onde passou por exames, recebeu medicações e soro, e aos poucos voltou a se alimentar, após quatro dias sem comer. Mesmo fraco, chegou sorrindo e lúcido. Depois de 24 horas, teve alta e foi recebido em casa com festa.
Roberto e Thayane não responsabilizam um ao outro pelo incidente na trilha no Pico Paraná
Thayane voltou para Curitiba e explicou por que seguiu sem ele: “Eu segui sozinha, após encontrar os corredores, porque o passo deles era mais rápido. Estava encantada com tudo e acabei deixando o Roberto para trás. Esperei por ele, mas não chegou. Me arrependo, nada disso teria acontecido.”
Roberto não culpa Thayane: “Tudo foi coincidência. O caminho que escolhi foi a escolha errada.” A polícia do Paraná, após ouvir testemunhas e analisar os celulares, pediu o arquivamento do inquérito.
Confira a reportagem completa:
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