O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) suspendeu, mais uma vez, o processo de privatização da Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná). A decisão é do conselheiro Fábio Camargo, sob alegação de falta de clareza no processo e risco de exposição de dados sigilosos.

Fachada da Celepar, em Curitiba; Companhia pode sofrer privatização
Diante da suspensão, a expectativa é que o tema volte ao plenário da Corte na próxima semana. (Foto: Roberto Dziura Jr/AEN)

Conforme o despacho, assinado nesta quarta-feira (28), Fábio Camargo solicitou que o conselheiro Durval Amaral revise a decisão que havia liberado o processo de desestatização da Celepar, proferida na última semana.

O pedido de suspensão se baseia no ingresso da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD)  em ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (ADI 7896), ingressada pelo PT e PSOL. Um relatório técnico anexado aos autos aponta riscos severos à proteção de dados e à soberania estatal. O documento foi protocolado no último dia 21 de janeiro, dois dias antes da decisão de Durval Amaral, e também foi juntado ao processo no TCE-PR.

Para Fábio Camargo, o relatório constitui elemento técnico relevante que justifica a revisão da decisão e a realização de um julgamento presencial e solene para aprofundar o debate sobre os impactos da privatização.

Confira o despacho na íntegra:

Diante da suspensão, a expectativa é que o tema volte ao plenário da Corte na próxima semana, para apreciação do colegiado.

Essa não é a primeira vez que uma decisão monocrática suspende a privatização da Celepar. Em dezembro do ano passado, o Pleno do TCE-PR confirmou a determinação do conselheiro-substituto Livio Fabiano Sotero Costa que previa a suspensão do processo.

Governo do Paraná contesta a decisão

O Governo do Paraná afirmou, por meio de nota enviada à Ric RECORD, que vai recorrer da decisão do conselheiro Fábio Camargo, feita dentro de um outro processo sem relação com a desestatização da Celepar.

“O Estado deu andamento à desestatização quando recebeu a decisão favorável do TCE dentro do processo conduzido pelo conselheiro responsável pelo tema, Durval Amaral. O Governo do Estado vai contestar a decisão decisão do conselheiro Fábio Camargo, que foi feita dentro de um outro processo sem relação com a desestatização da Celepar. O Estado acredita que essa decisão não subsistirá”, afirma o Executivo.

O processo de desestatização da Celepar foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Paraná em dezembro de 2024. O Estado detém 95% do capital da Companhia, que conta com 40 contratos de prestação de serviço junto a órgãos estaduais, incluindo o Tribunal de Justiça do Paraná e o próprio TCE-PR.

O projeto prevê que a nova administradora da Celepar opere a companhia, com o desenvolvimento de atividades acessórias, controle de sistemas e aplicativos, enquanto o Governo do Paraná tomará as decisões executivas da empresa.

Quer receber notícias no seu celular? Entre no canal do Whats do RIC.COM.BR. Clique aqui.

Rafael Nascimento

Repórter

Jornalista há mais de 15 anos, formado pela PUCPR e especializado em Gestão e Produção em Rádio e TV. Acumulou experiência em grandes redações em Curitiba, em TVs, sites de notícias e impresso, e na cobertura de eventos esportivos nacionais e internacionais.

Jornalista há mais de 15 anos, formado pela PUCPR e especializado em Gestão e Produção em Rádio e TV. Acumulou experiência em grandes redações em Curitiba, em TVs, sites de notícias e impresso, e na cobertura de eventos esportivos nacionais e internacionais.