Curitiba - Após a greve dos funcionários da Auto Viação Mercês, deflagrada por falta de pagamento, a Urbanização de Curitiba (Urbs) decidiu, nesta segunda-feira (26), pela transferência definitiva da tabela horária que era operada pela empresa para as demais integrantes do Consórcio Pontual — Glória e Santo Antônio — no sistema de transporte coletivo da capital. A mudança passa a valer a partir desta terça-feira (27).

Segundo a Urbs, a decisão foi tomada com base na cláusula de solidariedade prevista no contrato de concessão vigente e ocorreu após a constatação de descumprimentos contratuais por parte da Mercês. Entre os problemas apontados estão atrasos no pagamento de salários e benefícios trabalhistas, falhas na manutenção da frota e a ausência de comprovação de condições mínimas para a retomada das operações.
A Viação Mercês está sem operar desde o dia 14 de janeiro, quando os funcionários iniciaram a paralisação. Na ocasião, linhas da região Oeste de Curitiba e o Terminal de Santa Felicidade tiveram o atendimento comprometido, com atrasos e redução no número de veículos. De acordo com os trabalhadores, os salários vinham sendo pagos de forma parcelada desde novembro, com valores em aberto.
De acordo com a Urbs, vistorias realizadas entre os dias 16 e 22 de janeiro apontaram que, dos 43 veículos inspecionados, apenas cinco apresentavam condições adequadas de operação, número considerado insuficiente para atender às linhas. Também não foram comprovadas condições financeiras para pagamento de salários, manutenção dos veículos e abastecimento da frota, nem a regularidade das certidões fiscais e trabalhistas.
“A empresa infelizmente não apresentou um plano de recuperação que atestasse a sua capacidade de pagamento e manutenção de atividades. Permitir a continuidade da operação, diante do cenário de instabilidade operacional, financeira e trabalhista, representaria risco à segurança dos usuários, dos trabalhadores e da população em geral”, disse o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto.
O presidente da empresa afirmou ainda que a medida adotada não tem caráter sancionatório, mas configura uma reorganização administrativa prevista contratualmente, com o objetivo de preservar o interesse público e evitar prejuízos à população usuária do transporte coletivo.
Urbs define operação: empresas já prestavam serviços após greve
Com a decisão, as empresas Santo Antônio e Glória, que já vinham operando as linhas de forma temporária desde o início da greve, passam a assumir o serviço de forma definitiva. Além da transferência da tabela horária, foi concedido prazo de 10 dias úteis para que o Consórcio Pontual, por meio de sua empresa líder, a Glória, regularize as irregularidades contratuais e informe formalmente quais empresas passarão a operar as linhas anteriormente atendidas pela Mercês.
As linhas que passam a ser operadas pelas empresas Santo Antônio e Glória são: X 46 – Especial Mercês (caso seja retomada a linha temporária encerrada após a conclusão das obras na Avenida Manoel Ribas), 150 – C. Música/V. Alegre, 912 – José Culpi, 913 – Butiatuvinha, 915 – O. Verde/V. Bádia, 967 – Júlio Graf, 972 – Jardim Itália, 022 – Inter 2 (horário), 023 – Inter 2 (anti-horário), 040 – Interbairros IV, 464 – A. Munhoz/Jardim Botânico, 817 – Saturno/Veneza, 821 – Fernão Dias, 901 – Santa Felicidade, 902 – Santa Felicidade/Praça Tiradentes, 911 – Passaúna e 979 – Linha Turismo.
Para os passageiros, a Urbs informou que não haverá mudanças. As 17 linhas, que transportam cerca de 13 mil pessoas em dias úteis, já estavam sendo atendidas integralmente pelas empresas do consórcio, sem alterações nas tabelas de horários.
Em relação aos funcionários da Mercês, uma reunião entre os sindicatos dos trabalhadores (Sindimoc) e patronal (Setransp) deve ocorrer nos próximos dias para discutir a possibilidade de absorção dos empregados por outras empresas do sistema de transporte coletivo. A estimativa é de que existam 198 vagas abertas para motoristas e cobradores em Curitiba.
O Portal Ric entrou em contato com Auto Viação Mercês para saber o posicionamento da empresa sobre o caso, mas ainda não obteve resposta.
*Com informações da Prefeitura de Curitiba.
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