O dólar caiu para R$ 5,20 nesta terça-feira (27) e atingiu o menor valor desde o fim de maio de 2024 no mercado brasileiro. O movimento acompanhou a desvalorização global da moeda americana e foi reforçado pela entrada de recursos estrangeiros na bolsa brasileira, em um dia marcado pela alta superior a 2% nos preços do petróleo.

Ao longo da tarde, a moeda passou a ser negociada abaixo de R$ 5,20 e chegou a R$ 5,1987 na mínima do dia. No encerramento do pregão, o dólar caiu 1,38% e ficou cotado a R$ 5,2067, menor fechamento desde 28 de maio de 2024. Em janeiro, a moeda acumula queda de 5,14%, depois de ter subido 2,89% em dezembro. No acumulado de 2025, a desvalorização é de 11,18%, a maior desde 2016.
Dólar dai para R$ 5,20: veja o que diz especialistas
Especialistas apontam que o real tem sido beneficiado pela redução da exposição a ativos dos Estados Unidos, em meio às incertezas sobre a política econômica e comercial adotada pelo presidente Donald Trump. O impasse orçamentário americano e a possibilidade de uma nova paralisação do governo federal também contribuíram para o aumento da cautela dos investidores em relação ao país.
No cenário interno, dados de inflação reforçaram a percepção de que o Banco Central pode iniciar cortes na taxa básica de juros nos próximos meses. O IPCA-15 de janeiro veio abaixo do esperado, fortalecendo apostas de redução da Selic a partir de março. A expectativa em torno das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, com manutenção dos juros nos dois países, também favoreceu o real, diante do diferencial de taxas que estimula operações de carry trade. O saldo de investimentos estrangeiros na B3 já supera R$ 15,7 bilhões.
Em entrevista ao Estadão Conteúdo, o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, disse que o fluxo internacional tem papel central no movimento.
“Obviamente, o real é favorecido pela migração de recursos dos Estados Unidos para mercados emergentes, com todo o desgaste da política econômica e comercial americana. Além disso, a expectativa é de que o Banco Central seja comedido no processo de cortes de juros, que deve começar em março”, afirmou.
No exterior, o índice DXY, que compara o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou ao menor nível desde fevereiro de 2022. O euro e a libra fecharam no maior patamar em relação ao dólar desde 2021. O iene japonês também avançou após declarações da ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, de que “tomará medidas apropriadas nos mercados de câmbio, se necessário” e manterá “contato próximo” com os Estados Unidos.
De acordo com reportagem do Wall Street Journal, o Federal Reserve de Nova York entrou em contato com instituições financeiras para checagens sobre taxas de câmbio, o que levantou especulações sobre possíveis ações coordenadas entre os governos dos EUA e do Japão para conter a desvalorização do iene.
Trump defede queda dos juros americanos
Durante a tarde, Donald Trump voltou a defender a queda dos juros americanos e afirmou que o dólar está em um “ótimo valor”. A expectativa do mercado é de que o Federal Reserve mantenha a taxa básica entre 3,50% e 3,75% ao ano na próxima reunião, após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual. O banco central americano tem sido alvo de críticas do presidente, e há receio de interferência na política monetária, diante da possibilidade de troca do presidente do Fed, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
Para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, o cenário externo também ajuda a explicar a queda da moeda.
“A equipe econômica de Donald Trump tem sinalizado compreensão clara dos efeitos de um dólar mais fraco sobre competitividade externa. Esse fator tem contribuído para a desvalorização da moeda americana em nível global”, explicou.
Segundo ele, a queda do DXY em 12 meses é a mais intensa desde 2011, e “o real é beneficiado pelo dólar globalmente mais fraco e pelo fluxo externo favorável”.
*Com informações de Estadão Conteúdo.
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