Empresários do setor industrial do Paraná demonstram maior pessimismo para 2026, influenciados principalmente pelo cenário político e econômico nacional. É o que aponta a 30ª edição da Sondagem Industrial, divulgada nesta segunda-feira (2) pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O levantamento revela que apenas 55% das indústrias estão otimistas quanto ao desempenho de seus negócios neste ano, uma queda de seis pontos percentuais em comparação com 2025.

Em relação à economia brasileira, 46% dos entrevistados acreditam em retração. Apesar disso, 84% das empresas afirmam que pretendem investir neste ano. Os dados completos estão disponíveis no site sondagemindustrial.org.br.
Na avaliação da Fiep, a redução do otimismo está associada à instabilidade provocada pela condução da política econômica federal. Segundo o presidente do Sistema Fiep, Edson Vasconcelos, “questões macroeconômicas como o desequilíbrio fiscal, o recorrente aumento de tributos sobre o setor produtivo e a elevada taxa básica de juros cada vez mais sufocam as indústrias e minam a competitividade do setor”.
Vasconcelos acrescenta que “tudo isso é fruto principalmente da falta de competência na condução da política econômica do país, com uma estratégia de sustentação do crescimento do PIB nacional por meio do gasto público descontrolado e pouco eficiente”.
A dívida bruta do governo geral (DBGG) segue acima de 75% do Produto Interno Bruto (PIB) e a taxa de juros básica da economia brasileira (Selic) permanece em 15% ao ano, um patamar altíssimo se comparado a outros países.
Leia também: Dívida pública do Brasil representa mais de 75% do PIB; entenda
Como foi feita a Sondagem Industrial 2026 da Fiep
A Sondagem Industrial 2025/2026 foi realizada por meio de questionário eletrônico e reuniu 738 respostas válidas, com 99% de confiabilidade e margem de erro de 4,7%. Participaram indústrias de todos os portes e regiões do estado, sendo 68% micro e pequenas empresas, 27% médias e 5% grandes.
Industriais paranaenses acreditam em retração da economia
Em relação às expectativas para a economia brasileira em 2026, 46% dos empresários projetam retração — aumento de três pontos percentuais em relação ao ano anterior. Outros 30% esperam estabilidade, enquanto apenas 24% acreditam em crescimento. Entre os fatores que mais influenciaram essa avaliação, 61% apontaram a política nacional e 26% o panorama econômico do país.
Quanto ao desempenho das próprias empresas, além da queda no número de otimistas, 33% dos entrevistados afirmam ter expectativas neutras para seus negócios. Já os pessimistas somam 12%, três pontos percentuais a mais do que na edição anterior.
Entre os otimistas, os principais fatores apontados são a possibilidade de aumento das vendas (56%), a abertura de novos mercados (51%) e o ganho de produtividade (46%). Já entre os pessimistas, os principais entraves são a dificuldade de encontrar mão de obra (64%), os custos totais de produção (47%) e a infraestrutura logística (44%).
Intenção de investir segue em alta, apesar do cenário pessimista

Apesar do cenário de incertezas, a pesquisa mostra que a indústria paranaense mantém intenção relevante de investimentos em 2026. Ao todo, 84% das empresas afirmam que pretendem investir neste ano, sendo que 59% planejam investir o mesmo ou mais do que em 2025. Outros 25% devem reduzir os investimentos, enquanto 16% não pretendem investir.
No comércio exterior, a intenção de exportar caiu de forma significativa. Apenas 30% das indústrias paranaenses planejam exportar em 2026, 17 pontos percentuais a menos do que em 2025. Entre essas empresas, 55% pretendem vender insumos e matérias-primas, 26% máquinas e equipamentos, 11% serviços e 8% tecnologia.
A intenção de importar também recuou, atingindo 44% das empresas, 14 pontos percentuais a menos. Os principais itens a serem importados são insumos e matérias-primas (45%), máquinas e equipamentos (31%) e produtos acabados (18%).
Quer receber notícias no seu celular? Entre no canal do Whats do RIC.COM.BR. Clique aqui.