A União Europeia (UE) está disposta a implementar um amplo acordo de livre comércio com o Mercosul em caráter provisório, disse a chefe da comissão executiva do bloco nesta sexta-feira (23), apesar da votação do parlamento europeu para adiar a ratificação enquanto realiza uma revisão legal do acordo.

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Brasil, Luiz INácio Lula da Silva, em coletiva de imprensa do acordo Mercosul - União Europeia
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, diz que acordo provisório pode entrar em vigor assim que o primeiro país do Mercosul ratificar a medida. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A UE estará pronta para adotar a medida assim que pelo menos um país do Mercosul ratificar o acordo, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no final de uma cúpula de líderes da UE em Bruxelas, onde vários líderes nacionais levantaram a questão. O Congresso brasileiro já informou que deve conduzir a análise do acordo “com a maior celeridade possível”. O governo brasileiro sugeriu que o acordo seja implementado já, mesmo que em caráter provisório.

“Há um interesse claro em garantir que os benefícios desse acordo sejam aplicados o mais rápido possível. Em resumo, estaremos prontos quando eles estiverem prontos”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Nenhuma decisão formal para implementar o acordo foi tomada ainda, disse ela. Na mesma entrevista à imprensa, António Costa, chefe do conselho de governos membros da UE, disse que a comissão executiva tinha autoridade para avançar na implementação provisória.

Europa planeja reduzir dependência dos EUA

A decisão de fazer isso provavelmente provocará críticas dos oponentes do acordo, liderados pela França. Na quarta-feira, o parlamento decidiu por poucos votos encaminhar o acordo comercial à Corte Europeia de Justiça para revisão legal, atrasando a ratificação, já que o parlamento não pode votá-la até uma decisão da corte. Isso pode levar meses.

O acordo é fundamental para o plano de Bruxelas de formar relações comerciais fora de uma dependência histórica dos EUA, na esteira do antagonismo e da agressão durante o segundo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump.

Eles fecharam acordos do Japão ao México e devem assinar um acordo semelhante com a Índia no final deste mês.

Maior acordo de livre comércio do mundo

Apoiado pelos países pecuaristas da América do Sul e pelos interesses industriais europeus, o acordo Mercosul-União Europeia tem como objetivo eliminar gradualmente mais de 90% das tarifas sobre produtos que vão desde a carne bovina argentina até os carros alemães, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e tornando as compras mais baratas para mais de 700 milhões de consumidores.

A França, o maior produtor agrícola da Europa, queria proteções mais fortes para os agricultores e tentou adiar o pacto. No entanto, o chanceler alemão Friedrich Merz chamou a votação de adiamento de “lamentável” e pediu a aplicação provisória do acordo. A ratificação é considerada praticamente garantida na América do Sul, onde o acordo tem amplo apoio.

O Mercosul é formado pelas duas maiores economias da região, Brasil e Argentina, além de Paraguai e Uruguai. A Bolívia, o mais novo membro do bloco, não está incluída no acordo comercial, mas poderá aderir nos próximos anos.

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Sérgio Luis de Deus

Editor

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE