Brasil - A saúde mental no Brasil vive um dos momentos mais delicados das últimas décadas. Dados recentes mostram crescimento expressivo de transtornos como ansiedade e depressão. O cenário afeta milhões de pessoas e já provoca impactos diretos no trabalho e na economia. Assim, o tema deixou de ser individual e passou a ser um problema coletivo.

Saúde mental: Brasil no ranking da ansiedade
Levantamentos da Organização Mundial da Saúde indicam que o Brasil lidera o ranking mundial de ansiedade. Cerca de 9,3% da população convive com o transtorno, o equivalente a aproximadamente 18 milhões de pessoas. No caso da depressão, o país aparece entre os primeiros colocados no mundo. Mas o que é pior: os números chamam atenção pela velocidade de crescimento nos últimos anos.
A pandemia agravou ainda mais o quadro da saúde mental no Brasil. A OMS aponta um aumento global de 25% nos casos de transtornos mentais após o período mais crítico da crise sanitária. No país, adolescentes e adultos passaram a receber mais diagnósticos. O reflexo aparece tanto nos serviços de saúde quanto no ambiente de trabalho.
Impacto direto no mercado de trabalho

Em 2024, o Brasil registrou mais de 470 mil afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão. É o maior número da última década. O volume representa um salto de cerca de 60% em relação ao ano anterior. Especialistas associam o aumento à instabilidade econômica e à pressão por produtividade.
Fatores como redução de equipes, contratos mais frágeis e insegurança profissional ampliam o desgaste emocional. Mas muitos trabalhadores seguem atuando mesmo sem condições psicológicas adequadas. Outros acabam afastados por longos períodos, o que levanta dúvidas sobre direitos e benefícios previdenciários.
Quem mais sofre com a crise
A percepção sobre a saúde mental no Brasil também mudou. Pesquisas recentes mostram que mais da metade da população considera o tema o principal problema de saúde do país. A preocupação cresce principalmente entre mulheres. A sobrecarga de tarefas e responsabilidades aparece como um dos motivos.
A Geração Z também se destaca entre os grupos mais afetados. Jovens relatam maior ansiedade e sintomas depressivos. O acesso à informação amplia a conscientização, mas também aumenta a exposição a pressões sociais e profissionais.

Ações e atenção do poder público
O debate ganhou espaço com campanhas como o Janeiro Branco. A iniciativa busca reduzir o estigma e estimular o cuidado emocional. Além disso, o Ministério do Trabalho reforçou a fiscalização sobre saúde mental nas empresas. A atualização da NR-1 amplia a responsabilidade dos empregadores.
Diante desse cenário, cresce a busca por informação. Muitos brasileiros se perguntam se têm direito a afastamento, auxílio-doença ou outros benefícios. Entender as regras pode fazer diferença em um momento de fragilidade. Afinal, cuidar da saúde mental também envolve conhecer e acessar direitos.