As Forças Armadas venezuelanas reconheceram neste domingo (4) a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, como presidente interina da Venezuela, um dia após o ditador Nicolás Maduro ser capturado e deposto pelo governo dos Estados Unidos. O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ, na sigla em espanhol) já havia decidido que Rodríguez deveria assumir a presidência do país.

“O Governo Bolivariano garantirá a governabilidade do país, e nossas instituições continuarão a empregar todos os seus recursos disponíveis para a defesa militar, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz”, disse López em nota divulgada pelo Ministério da Defesa da Venezuela.
Em vídeo, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, rechaçou o que chamou de intervenção norte-americana no país e exigiu a libertação de Maduro. López avaliou que o ataque representa “uma ameaça global”. “Rechaçamos essa pretensão colonialista que se deseja implementar, sob o espírito da doutrina Monroe, sobre a América Latina e o Caribe”, disse o ministro.
As Forças Armadas da Venezuela pediram para a população venezuelana “retomar suas atividades” com normalidade.
“Chamo o povo da Venezuela a retomar suas atividades econômicas, trabalhistas, de todo tipo, educativas, nos próximos dias e a pátria deve encaminhar-se sobre seu trilho constitucional”, disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, em um pronunciamento televisivo.
O ministro também insistiu para que os cidadãos mantenham a paz, a ordem, para não cair “nas tentações da guerra psicológica da ameaça do medo que querem nos impor”.
Caracas amanheceu tranquila neste domingo
Neste domingo (4), a capital venezuelana, Caracas, estava excepcionalmente tranquila, com poucos veículos circulando. Lojas de conveniência, postos de gasolina e outros estabelecimentos comerciais estavam em sua maioria fechados.
As ruas, normalmente cheias de corredores e ciclistas, estavam praticamente vazias, e o palácio presidencial da Venezuela era guardado por civis armados e membros das Forças Armadas.
Fora da capital, no Estado de La Guira, famílias cujas casas foram danificadas pelas explosões durante a operação que capturou Maduro e sua mulher ainda estavam limpando os escombros Alguns prédios ficaram com paredes abertas.
Após a mudança radical na Venezuela e as promessas do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos “governariam” a Venezuela com a ajuda da vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, ninguém no país parecia saber como estavam as coisas ou o que estava por vir.
Em um bairro de baixa renda no leste de Caracas, o operário Daniel Medalla sentou-se nos degraus de uma igreja católica e disse a alguns paroquianos que novamente não haveria missa matinal.
Medalla teorizou que as ruas permaneceram praticamente vazias não porque as pessoas estivessem preocupadas com outra greve, mas porque temiam a repressão do governo se ousassem comemorar, após uma forte repressão governamental durante as tensas eleições do ano passado. “Estávamos ansiosos por isso”, disse Medalla, 66 anos, sobre a saída de Maduro.
Entenda o que aconteceu na Venezuela
No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros de Caracas. Em meio ao ataque militar, realizado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
O ataque marcou um novo episódio de intervenções diretas dos EUA na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos prenderam o ditador Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.
Os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um cartel do narcotráfico venezuelano chamado De Los Soles. O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.
Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.
*Com informações da Agência Brasil e do Estadão Conteúdo
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