O ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro se declarou inocente das acusações apresentadas pelo Tribunal Federal de Nova York (EUA), que incluem conspiração de narcoterrorismo e tráfico de drogas. Maduro é apontado pelas autoridades dos Estados Unidos como líder de uma organização criminosa que teria facilitado o envio de toneladas de cocaína ao território norte-americano. O caso avança após o venezuelano comparecer à audiência de instrução realizada nesta segunda-feira (5).

Ex-ditador Nicolas Maduro chega a tribunal em Nova York para audiência.
Ex-ditador Nicolas Maduro chega a tribunal em Nova York para audiência. (Foto: Eduardo Munoz/Reuters)

A acusação formalizada pelo Departamento de Justiça dos EUA imputa a Maduro envolvimento direto em atividades de narcoterrorismo e associação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para ampliar o alcance do tráfico internacional. Segundo a promotoria, o esquema teria operado por mais de duas décadas, colocando grandes quantidades de entorpecentes nos Estados Unidos.

Durante a audiência, Maduro reafirmou não reconhecer as acusações e declarou inocência frente ao juiz distrital Alvin K. Hellerstein. Ele também disse que é um homem decente e ressaltou que é um “presidente sequestrado”.

“Não sou culpado. Sou inocente de tudo o que foi mencionado aqui”, disse o ex-ditador Nicolás Maduro ao juiz na audiência de instrução.

Juiz marca para 17 de março nova audiência de Maduro

O juiz Alvin K. Hellerstein determinou que o ex-presidente venezuelano volte a comparecer a um Tribunal Federal dos Estados Unidos em 17 de março, ao encerrar uma audiência que durou cerca de meia hora.

Durante a sessão, o advogado de Maduro, Barry J. Pollack, afirmou que há “questões sobre a legalidade” da captura de seu cliente, classificada pela defesa como uma “abdução militar”. Segundo Pollack, Maduro “é chefe de um Estado soberano e tem direito às prerrogativas” associadas a esse status.

O advogado disse ainda esperar uma disputa judicial “volumosa” na fase prévia ao julgamento para tratar desses questionamentos. Embora não tenha solicitado a libertação do presidente neste momento, a defesa reservou o direito de apresentar um pedido de fiança mais adiante.

A audiência também abordou a situação de Cilia Flores, esposa de Maduro e igualmente acusada no caso. O advogado dela, Mark Donnelly, informou que Flores enfrenta “questões de saúde que exigirão atenção”, incluindo a possibilidade de fratura ou hematomas severos nas costelas, e solicitou que ela seja submetida a exames de raio-x e a uma avaliação médica completa. Donnelly acrescentou que sua cliente, de 69 anos, pode precisar de acompanhamento físico mais detalhado.

Ao fim da sessão, foi registrado que tanto Maduro quanto Flores concordaram em permanecer detidos por ora, com a possibilidade de que pedidos de liberdade sejam analisados em momento posterior.

Um representante do governo informou ainda que ambos foram colocados oficialmente sob custódia às 11h30 horário local de sábado (3), com chegada a Nova York às 16h31 horário local do mesmo dia.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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Sérgio Luis de Deus

Editor

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE