A Alemanha decidiu enviar uma equipe militar à Groenlândia em conjunto com outros parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em meio às exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Washington tenha o controle da ilha, hoje um território da Dinamarca.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (15), o governo alemão afirmou que a missão ocorre a convite e sob a liderança da Dinamarca, e não cita nenhum risco de invasão dos EUA. Ao contrário, a nota adota tom diplomático e evita ampliar o desconforto com os Estados Unidos, principal membro da Otan. Segundo os alemães, o objetivo é avaliar as possibilidades de garantir a segurança no Ártico diante de “ameaças russas e chinesas”.
As Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) decidiram inicialmente deslocar a equipe com 13 integrantes para a Dinamarca, de onde seguirá para a Groenlândia em um voo conjunto com parceiros aliados. O comunicado destaca ainda que “o objetivo é obter um quadro sólido das condições locais” para embasar futuras conversas e planejamentos dentro da Otan.
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, afirmou que “a Rússia e a China utilizam cada vez mais a região do Ártico de forma militar” e que isso coloca em risco “a liberdade das rotas de transporte, comunicação e comércio”. Segundo ele, “a Otan não permitirá isso e continuará a defender a ordem internacional com base em regras”.
A movimentação europeia ocorre enquanto os EUA já mantêm uma base militar na Groenlândia, com até 150 pessoas, e em meio às pressões de Trump sobre o futuro da ilha. O presidente americano tem dito repetidamente que a ilha é vital para a segurança interna dos EUA. Segundo ele, todas as opções estão sobre a mesa para garantir a posse do território, inclusive o uso de força militar.
Europeus temem invasão na Groenlândia
A França enviou cerca de 15 militares a Nuuk. A rede BBC informou que a Noruega enviou dois militares e o Reino Unido, um oficial, além do envio de oficiais suecos, sem número divulgado. Ao todo, os países europeus anunciaram o envio de ao menos 31 militares, número que não inclui o contingente sueco, cujo tamanho não foi detalhado.
A Agência Reuters destacou que a Polônia decidiu não enviar soldados. O primeiro-ministro Donald Tusk afirmou que um ataque de um país da Otan ao território de outro seria “o fim do mundo como o conhecemos” e classificou como “um desastre político” qualquer tentativa de tomada de território entre aliados.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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