Mesmo inscrito no programa de remição de pena por leitura desde o início do ano, Jair Bolsonaro ainda não leu nenhuma das obras disponíveis na iniciativa, segundo registros da Polícia Militar do Distrito Federal. A atividade poderia abater dias da condenação superior a 27 anos de prisão que o ex-presidente cumpre desde 15 de janeiro, na Papudinha.

A inclusão de Bolsonaro no projeto ocorreu após o pedido do próprio ex-presidente, com autorização do ministro Alexandre de Moraes. Desde então, no entanto, não houve entrega de resenhas nem validação de leitura por parte da comissão responsável.
O programa de leitura segue regras da Lei de Execução Penal e da Resolução 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça, aplicada no Distrito Federal desde 2018. Cada livro lido e avaliado pode reduzir quatro dias da pena, com limite anual de 11 obras, o equivalente a 44 dias.
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Livros disponíveis para o ex-presidente Jair Bolsonaro
A lista reúne clássicos da literatura brasileira e internacional, com foco no desenvolvimento crítico e reflexivo dos detentos. Entre os títulos estão:
- A Hora da Estrela, de Clarice Lispector
- A Revolução dos Bichos, de George Orwell
- Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
- Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva
- Canção para Ninar Menino Grande, de Conceição Evaristo
- Capitães de Areia, de Jorge Amado
- Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiéviski
- Democracia, de Philip Bunting
- Guerra e Paz, de Liev Tolstói
- Incidente em Antares, de Érico Veríssimo
- O Príncipe, de Nicolau Maquiavel
- Tudo É Rio, de Carla Madeira
Confira aqui a lista completa.
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Passatempo fora do programa
Em novembro do ano passado, Jair Renan Bolsonaro afirmou que havia levado um caça-palavras ao pai durante o período em que ele estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O material, no entanto, não integra o projeto oficial e não gera remição de pena.
Para que o benefício seja concedido, o detento precisa concluir a leitura da obra, produzir uma resenha e ter o conteúdo aprovado por uma comissão avaliadora, etapa que, até agora, Bolsonaro ainda não iniciou.
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