O Palácio do Planalto trabalha em um plano de contingência para evitar uma crise migratória de refugiados da Venezuela. Em crise econômica há décadas, o país fronteiriço com o Brasil mergulhou agora numa profunda crise política e diplomática, após o ex-presidente Nicolás Maduro ser capturado em uma ação militar dos Estados Unidos, no último fim de semana.

De forma reservada, o governo brasileiro atua na atualização de um plano de contingência voltado à recepção de refugiados, implementado pelo Executivo em 2018. A Operação Acolhida coordena ações de recepção, abrigamento, regularização documental e interiorização de venezuelanos em diversas regiões do país.
Segundo revelou o Portal R7, fontes próximas ao Palácio do Planalto afirmam que há cerca de um mês equipes técnicas do governo discutem cenários de aumento no fluxo migratório venezuelano.
Após a ofensiva norte-americana, cerca de 2 mil militares atuam na fronteira do Brasil com a Venezuela em Roraima, e outros 10 mil estão espalhados pelo estado. A possível ampliação do plano de contingência prevê reforço logístico, ampliação de abrigos temporários e integração com políticas de saúde, assistência social e mercado de trabalho.
Com relações históricas e diplomáticas com a Venezuela, o Brasil tem adotado um discurso cauteloso sobre a crise no país vizinho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca se colocar como articulador político no âmbito do Mercosul, defende a preservação da soberania da Venezuela.
Venezuelanos no Paraná
De acordo com dados do Observatório das Migrações Internacionais, até outubro do ano passado, o Brasil contabilizou 1.888.357 registros migratórios, entre pessoas refugiadas, migrantes e solicitantes de refúgio. Desse total, a categoria “acolhida de venezuelanos” teve o maior resultado: 68.512.
Além disso, os venezuelanos lideraram a quantidade de migrantes reconhecidos com a condição de refugiados: 7.228 dos 7.882 pedidos atendidos pelo governo brasileiro até outubro de 2025 foram de cidadãos da Venezuela.
Como reflexo da grave crise econômica em seu país de origem, mais de 575 mil venezuelanos passaram a residir no Brasil em busca de melhores condições de vida. Destes, 87 mil moram no Paraná.
Curitiba é a cidade paranaense com a maior comunidade venezuelana no estado, com cerca de 8,9 mil pessoas.
*com informações do Portal R7
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