A Câmara Municipal de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, rejeitou nesta segunda-feira (2) duas denúncias por infração político-administrativa que poderiam resultar na cassação de mandato do prefeito afastado Marco Antônio Marcondes (PSD). Ele é acusado de corrupção e desvio de dinheiro público pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) no âmbito da Operação Fake Care, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Oito vereadores votaram contra os pedidos de investigação e apenas quatro foram favoráveis – era necessária a maioria simples para recebimento das denúncias. (veja abaixo como cada vereador votou). Com a rejeição, os pedidos de investigação e abertura de processo de cassação foram arquivados.
Como votaram os vereadores de Fazenda Rio Grande
Votaram contra
- Michel Batata (PSD)
- Fabiano Fubá (PSD)
- Maciel (PL)
- Joéliton Leal (PSD)
- Professor Léo (Solidariedade)
- Gilmar Petry (PL)
- Thauana Padilha (PSD)
- Esiquiel Franco (Republicanos)
Votaram a favor
- Caio Szadkoski (Solidariedade)
- Fernandinho (PP)
- Laco (PP)
- Enfermeiro Zé Carlos (Republicanos)
As denúncias foram apresentadas por dois cidadãos de Fazenda Rio Grande com base no Decreto-Lei nº 201/1967, que trata das infrações político-administrativas cometidas por prefeitos e autoriza a cassação do mandato quando há violação à legalidade, ao patrimônio público e ao decoro do cargo.
Em nota oficial, a Câmara Municipal de Fazenda Rio Grande informou que “aguardará a conclusão do processo judicial, uma vez que o prefeito municipal não sofreu nenhuma condenação judicial conclusiva, pois ainda se trata de uma denúncia em fase de apuração”.
Entenda a investigação que resultou no afastamento do prefeito Marcondes
Em 9 de outubro de 2025, o Gaeco do MP-PR deflagrou a Operação Fake Care, destinada a desarticular uma organização criminosa instalada na Prefeitura de Fazenda Rio Grande, voltada ao desvio sistemático de recursos públicos da saúde. Cinco pessoas foram presas na ocasião, incluindo o prefeito Marco Marcondes, acusados de um esquema suspeito de desvio de mais de R$ 10 milhões na Secretaria de Saúde do município.
O Ministério Público ofereceu denúncia criminal imputando ao prefeito os crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal, peculato e corrupção passiva majorada praticada ao menos 62 vezes, em razão de esquema fraudulento envolvendo a contratação da empresa AGP Saúde Ltda. para prestação de serviços já ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Imagens e vídeos obtidos pelo Gaeco mostram encontros suspeitos entre representantes da AGP Saúde, empresa investigada por corrupção nesse processo, e agentes públicos na casa do prefeito. Era nesse momento em que os suspeitos teriam negociado alguns dos repasses em dinheiro em Fazenda Rio Grande.
O Tribunal de Justiça do Paraná decretou a prisão preventiva e o afastamento do cargo do denunciado, reconhecendo a gravidade dos fatos e o risco à ordem pública. O vice-prefeito Serjão (PP) assumiu o cargo com o afastamento de Marcondes, que posteriormente foi solto e aguarda o andamento das investigações em liberdade.
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