Com datas já definidas, mudanças no calendário e regras que impactam diretamente o eleitor, as eleições gerais de 2026 começam a entrar no radar dos brasileiros. Em outubro, o Brasil vai às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados, em um processo que combina diferentes sistemas de votação e envolve prazos importantes para regularização do título.

Mesário confere identidade de eleitor via aplicativo e biometria em seção eleitoral de Valparaíso, em Goiás, em 2024
Brasileiros têm compromisso marcado no dia 4 de outubro: votar nas eleições de 2026. (Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)

Além do calendário de votação — com primeiro e possível segundo turnos marcados para os dias 4 e 25 —, o pleito traz como novidade a alteração na data de posse presidencial e reforça, mais uma vez, os mecanismos de segurança e transparência que sustentam o sistema eleitoral brasileiro.

Calendário eleitoral 2026: datas de votação, posses e prazos

O eleitor brasileiro já pode se preparar para as eleições gerais de 2026, que definirão os ocupantes dos principais cargos do Executivo e do Legislativo no país. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o segundo turno, se necessário, será em 25 de outubro. Veja abaixo as principais datas do calendário eleitoral deste ano:

  • 20 de julho a 5 de agosto – Convenções partidárias: este é o período das convenções partidárias, quando partidos e federações poderão realizar os eventos para deliberar sobre coligações e definir candidatas e candidatos aos cargos em disputa.
  • 15 de agosto – Registros de candidatura: após a definição das candidaturas, os partidos têm até 15 de agosto para registrar os nomes escolhidos na Justiça Eleitoral.
  • 16 de agosto – Início da campanha eleitoral: antes dessa data, qualquer divulgação ou manifestação que contenha pedido explícito de voto pode ser caracterizada como irregular e sujeita à aplicação de multa.
  • 28 de agosto a 1º de outubro –  veiculação do horário eleitoral gratuito em TV e rádio: a contagem é feita considerando-se os 35 dias anteriores à antevéspera do 1º turno. 
  • 4 de outubro (1º turno) e 25 de outubro (2º turno, se for necessário): a votação terá início às 8h, considerando-se o horário de Brasília, com encerramento às 17h. 
  • 19 de dezembro – Diplomação: último dia para a diplomação de eleitas e eleitos.

Outra novidade do pleito: a partir de 2027, a posse do presidente da República passa a ocorrer em 5 de janeiro, e não mais no dia 1º, como previa o modelo anterior. A mudança também vale para governadores eleitos, enquanto deputados e senadores continuam tomando posse em fevereiro, conforme a Constituição.

Leia também: O que são eleições indiretas e quando elas acontecem no Brasil?

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Quais cargos estão em disputa e qual a ordem de votação?

Em 2026, os eleitores vão às urnas para escolher representantes em cinco cargos diferentes. A votação segue uma ordem específica na urna eletrônica, que deve ser observada com atenção:

  1. Deputado Federal
  2. Deputado Estadual (ou Distrital, no caso do DF)
  3. Senador – neste pleito, serão duas vagas por unidade da federação
  4. Governador
  5. Presidente da República

Conhecer essa sequência ajuda a evitar erros e agiliza o processo de votação no dia da eleição.

Sistema majoritário X proporcional: como o seu voto é contado?

Nem todos os votos dos eleitores são contabilizados da mesma forma. Nas eleições brasileiras, convivem dois sistemas distintos:

  • Sistema majoritário: utilizado para os cargos de presidente, governador e senador. Nesses casos, vence o candidato mais votado — em alguns cargos, podendo haver segundo turno se ninguém alcançar a maioria absoluta no primeiro.
  • Sistema proporcional: aplicado às eleições para deputado federal e deputado estadual. Aqui, o voto vai primeiro para o partido ou federação, e o número de cadeiras conquistadas depende do total de votos da legenda. Só depois disso é definida a lista de candidatos eleitos.

Na prática, isso significa que o voto para deputado também fortalece o partido escolhido.

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Quem é obrigado a votar e como regularizar o título de eleitor

Eleitora se identifica em seção eleitoral de Valparaíso de Goiás, nas eleições de 2024
Eleitora se identifica em seção eleitoral de Valparaíso de Goiás: prazo para regularizar título termina em 6 de maio de 2026. (Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)

O voto é obrigatório para brasileiros entre 18 e 70 anos e facultativo para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e pessoas com mais de 70 anos.

Quem precisa regularizar o título de eleitor, fazer transferência de domicílio eleitoral ou cadastrar a biometria deve ficar atento ao prazo: até 6 de maio de 2026. Após essa data, o cadastro eleitoral é fechado para organização do pleito.

Consulte a situação do seu título de eleitor no Autoatendimento Eleitoral, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse serviço informa se você está apto a votar ou se tem pendências que precisam ser regularizadas. Veja abaixo um passo a passo:

  1. Entre no Autoatendimento Eleitoral.
  2. Escolha a opção “Título Eleitoral” e depois “Regularize seu título eleitoral cancelado” (ou similar).
  3. Preencha seus dados (CPF ou número do título) e siga os passos no formulário online.
  4. Se houver multas por ausência às urnas, gere e pague a guia via sistema.
  5. Anote o número do protocolo e acompanhe o andamento pelo mesmo portal.

Você também pode usar o aplicativo e-Título (Android/iOS) para consultar a situação e emitir a certidão de quitação eleitoral, se seu título já estiver regularizado.

O início do ano é considerado estratégico para resolver pendências, já que evita filas e garante que o eleitor esteja apto a votar em outubro.

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Segurança e transparência: o papel da urna eletrônica e auditorias

Cidadãos participam de teste público de segurança da urna eletrônica em dezembro de 2025, em Brasília
Teste público de segurança da urna eletrônica em dezembro de 2025: segurança e transparência. (Foto: Luiz Roberto/TSE)

A segurança do processo eleitoral é coordenada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio do chamado Ciclo de Transparência Eleitoral. O conjunto de medidas envolve desde a abertura dos códigos-fonte das urnas eletrônicas para fiscalização de entidades independentes até auditorias antes e depois das eleições.

Universidades, Forças Armadas, partidos políticos, Ministério Público e organizações da sociedade civil podem participar das etapas de verificação. Além disso, testes públicos de segurança simulam tentativas de ataque ao sistema, com o objetivo de identificar e corrigir eventuais falhas.

Segundo o TSE, esse modelo reforça a confiabilidade, a integridade e a transparência das eleições brasileiras, consideradas uma das maiores operações eleitorais totalmente informatizadas do mundo.

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Sérgio Luis de Deus

Editor

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE