No encerramento de cada eleição, enquanto milhões de brasileiros aguardam os números da totalização pela TV ou internet, um processo fundamental de transparência ocorre em cada seção eleitoral: a impressão do Boletim de Urna (BU). Mais do que um simples recibo, este documento é a prova física dos votos daquela seção e a primeira barreira contra qualquer tentativa de desinformação.

Mesários imprimem o boletim de urna ao fim das eleições de 2024 em Valparaíso de Goiás.
Boletim de urna é impresso ao fim de cada eleição: documento registra todos os votos da urna e o número de eleitores votantes. (Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)

O sistema brasileiro foi desenhado para que qualquer pessoa, do eleitor comum ao especialista em dados, consiga auditar os resultados. Veja abaixo como o eleitor poderá fiscalizar sua seção e acessar esses dados nas eleições de 2026.

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O que é o Boletim de Urna (BU) e por que ele é público?

O Boletim de Urna (BU) é o relatório impresso pela urna eletrônica imediatamente após o encerramento da votação, às 17 horas. Ele é o documento oficial que “tranca” os votos daquela seção. Nele, estão registrados o total de votos por candidato, votos brancos, nulos e o número de eleitores que compareceram àquela seção.

Por lei, o BU é um documento público. Isso significa que qualquer cidadão tem o direito de ler e até fotografar o relatório que é obrigatoriamente afixado na porta da seção após o pleito. Essa publicidade garante que o resultado seja conhecido localmente antes de ser transmitido para os tribunais.

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Como ver os votos da sua seção pelo aplicativo “Boletim na Mão”

Para facilitar essa fiscalização, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desenvolveu o aplicativo “Boletim na Mão” (disponível para Android e iOS). A ferramenta permite que o eleitor guarde o resultado da sua seção e o compare, mais tarde, com os dados publicados no site do TSE. Se o número for o mesmo, o eleitor tem a certeza de que seu voto foi contabilizado corretamente.

Veja como fazer essa conferência digital por meio do app Boletim na Mão.

  1. Aponte a câmera do celular: No final do Boletim de Urna impresso, existe um QR Code.
  2. Escaneie: O app faz a leitura e armazena uma cópia digital fiel dos votos daquela seção no seu celular.
  3. Importante: Você pode fotografar o BU impresso na porta da seção, mas é terminantemente proibido tirar fotos da urna eletrônica ou entrar na cabine de votação com o celular.

Consulta Online: onde encontrar os resultados detalhados no site do TSE?

Boletins de urna impressos reunidos nas eleições de 2024 no Paraná.
Boletins de urna impressos reunidos nas eleições de 2024 no Paraná. (Foto: Divulgação/TRE-PR)

Se você não conseguiu conferir o boletim impresso fisicamente na seção eleitoral, o TSE disponibiliza os dados nos portais Resultados e Divulga. Através deles, é possível filtrar a busca por estado, município, zona eleitoral e, por fim, a seção específica.

O sistema exibe uma versão digitalizada do mesmo boletim impresso na urna, garantindo que a informação que saiu do ponto de votação é a mesma que chegou ao sistema central.

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Diferença entre votação por seção e totalização: como os dados chegam ao TRE?

Uma dúvida comum é como os dados chegam ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e depois ao TSE. Após o encerramento, a mídia de memória da urna é levada a um ponto de transmissão oficial. Os dados viajam por uma rede própria e criptografada, sem conexão com a internet pública.

A “totalização” nada mais é do que a soma matemática de todos os BUs. Como milhares de pessoas já possuem cópias físicas ou digitais dos boletins individuais, qualquer divergência na soma final seria facilmente detectada.

Dados Abertos: como baixar a lista completa de votos por urna no Paraná?

Para quem deseja ir além e analisar os dados de forma massiva, o Repositório de Dados Eleitorais oferece arquivos em formato CSV (abertos em softwares como Excel). No estado do Paraná, por exemplo, é possível baixar a lista completa de votos por urna.

Esses arquivos permitem ver cada voto registrado, mantendo o sigilo absoluto do eleitor, já que a ordem de votação é embaralhada pelo sistema. É o nível máximo de transparência, permitindo que partidos, universidades e qualquer cidadão realizem suas próprias auditorias independentes.

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Sérgio Luis de Deus

Editor

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE