Os brasileiros voltam às urnas em outubro de 2026 para eleger o presidente da República e delegar um novo mandato de quatro anos (2027-2030). As eleições de 2026 devem ser marcadas mais uma vez pela polarização entre os campos políticos de direita e de esquerda.

Faixa presidencial usada por Luiz Inácio Lula da Silva guardada em uma caixa
Brasileiros vão decidir no voto quem irá vestir a faixa presidencial a partir de 2027. (Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem tudo para tentar a reeleição, aglutinando as forças políticas de esquerda (mais progressista). Do lado da direita (mais conservador), vários pré-candidatos se apresentam como opção de mudança no Palácio do Planalto: Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr, entre outros. O ex-presidente Jair Bolsonaro segue inelegível e está fora do páreo.

Lula e a busca pelo quarto mandato: como está a pré-campanha do PT?

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante chegada ao Aeroporto Panamá Pacífico. Cidade do Panamá
Pré-candidato à reeleição, Lula pode se tornar o primeiro presidente a exercer um quarto mandato. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Pré-candidato à reeleição, Lula caminha para disputar a sua sétima eleição presidencial em 2026. Ele pode se tornar o primeiro político eleito para um quarto mandato de presidente da República na história da democracia brasileira. Aos 80 anos de idade, o petista diz sentir a mesma “energia” de quando tinha “30 anos” e que apenas um problema de saúde pode tirá-lo da eleição de outubro.

Para tentar se reeleger pela segunda vez (foi reeleito em 2006), Lula costura alianças políticas nos principais colégios eleitorais do país em busca de palanques fortes para sua candidatura.

Em São Paulo, o petista trabalha para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seja o candidato do PT a governador e ajude a eleger uma bancada forte na Câmara dos Deputados e no Senado. Caso Haddad recuse, outros dois nomes despontam como candidato de Lula ao Palácio dos Bandeirantes: o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que deve deixar o MDB e ingressar no PSB.

Em Minas Gerais, Lula gostaria que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) fosse candidato a governador, mas essa aliança ficou mais distante depois que o PSD filiou o atual vice-governador Mateus Simões, ex-Novo, que é pré-candidato. Com isso, as opções são apoiar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, recém-filiado ao PDT, ou mesmo apostar na candidatura da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), tida por muitos como a maior liderança petista em Minas e uma das favoritas ao Senado.

No Nordeste, considerado berço eleitoral de Lula e do PT, a costura política passa pela manutenção dos estados que o PT já comanda, casos de Ceará, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte, além da aliança histórica com o PSB de João Campos em Pernambuco e na Paraíba. A situação mais complexa é no Maranhão, onde ocorreu um racha local entre PSB e PT, tradicionais aliados no âmbito nacional.

O nome da direita: Ratinho Jr, Romeu Zema, Tarcísio de Freitas, Michelle ou Flávio Bolsonaro?

Governadores em ato pela anistia em São Paulo
Romeu Zema, Ratinho Júnior, Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado são cotados como possíveis candidatos à presidência. (Foto: Reprodução/Instagram/@romeuzemaoficial)

Com Jair Bolsonaro preso e inelegível, o campo da direita busca um nome de consenso para enfrentar Lula nas urnas. Dois pré-candidatos despontam como favoritos para aglutinar os conservadores: o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Outros nomes correm por fora e observam o cenário em busca de apoio para suas aspirações políticas, como o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD); o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (que deixou o União Brasil); o governador de Minas Gerais (Novo), Romeu Zema; e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL).

Flávio foi alçado ao posto de pré-candidato pelo próprio pai, que busca preservar a influência do sobrenome Bolsonaro entre os conservadores. Mas a candidatura dele encontra resistência em parte do Centrão, que deseja um nome mais conciliador, capaz de atrair votos tanto da direita quanto da esquerda.

É o caso de Tarcísio, que é apadrinhado político de Jair e tem uma gestão bem avaliada em São Paulo, o estado mais populoso do país. O governador paulista tem força para reunir entorno de si um ampla coligação de partidos, do PL ao PP, passando pelo PSD e União Brasil. O maior impeditivo para sua candidatura – e a de Michelle a reboque – é justamente a figura de Flávio. Por lealdade ao ex-presidente Bolsonaro, Tarcísio resiste em ir contra a candidatura do senador do PL.

Já as pré-candidaturas de Zema e Caiado por enquanto não empolgaram. O governador de Minas Gerais diz que manterá a candidatura “até o fim”. Já o governador goiano sofreu um revés dentro do próprio partido, o União Brasil, que retirou apoio à sua candidatura. Caiado então migrou para o PSD, de Gilberto Kassab, em busa de viabilizar seu nome. O grande problema é que o PSD já tem dois presidenciáveis em seus quadros: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador do Paraná, Ratinho Junior. 

Ratinho Junior na disputa presidencial: o governador do Paraná vai concorrer?

Governador do Paraná, Ratinho Junior, participa de videconferência pelo computador direto do Palácio Iguaçu, em Curitiba
Governador Ratinho Junior é nome forte na disputa presidencial das eleições 2026. (Foto: Rodrigo Félix Leal/AEN)

Político da nova geração, o governador Ratinho Junior já não esconde o desejo de se lançar à Presidência da República, após duas gestões bem avaliadas no comando do estado do Paraná. Ele planeja trocar uma eleição certa ao Senado Federal por uma candidatura ao Palácio do Planalto que, na pior das hipóteses, o tornaria mais conhecido nacionalmente.

Com a aparente desistência de Tarcísio de Freitas, o PSD deve lançar candidato próprio e, nessa linha, o nome de Ratinho Junior desponta como favorito. O presidente do partido, Gilberto Kassab, tenta fazer mistério entorno da candidatura do paranaense, citando que a sigla tem outros dois presidenciáveis: Eduardo Leite e agora Ronaldo Caiado.

A decisão final do PSD deve acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto, prazo previsto pela Justiça Eleitoral para as legendas realizarem convenções e definirem coligações e candidaturas. Enquanto isso não ocorre, Ratinho Junior vem se reunindo com representantes de setores político-empresariais e dando entrevistas a veículos de imprensa nacionais em um esforço para tornar seu nome mais conhecido nacionalmente.

Caso seja candidato, ele deve centar seu discurso na construção de um projeto nacional voltado à eficiência do Estado e à superação da polarização política. Ratinho Junior defende a redução do tamanho da máquina pública, a modernização da gestão, a estabilidade fiscal e a criação de um ambiente econômico mais favorável a investimentos, com menos burocracia e maior segurança jurídica.

Governadores no páreo: Ronaldo Caiado e Romeu Zema mantêm pré-candidaturas

Eduardo Leite, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Gilberto Kassab; partido tem 'três presidenciáveis' antes das Eleições 2026
Gilberto Kassab deve definir escolha de candidato do PSD nos próximos meses. (Foto: Reprodução/X Gilberto Kassab)

Os governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo) já colocaram seus nomes no debate presidencial para as eleições de 2026 e passaram a circular pelo país como pré-candidatos. Caiado foi o primeiro a oficializar o movimento, ao lançar sua pré-candidatura em abril de 2025, durante evento político em Salvador. Já Zema anunciou sua intenção de disputar o Palácio do Planalto em agosto de 2025, no Encontro Nacional do Partido Novo, realizado em São Paulo.

Caiado tem centrado seu discurso na segurança pública, área que considera prioritária para o país. O governador defende o endurecimento no combate ao crime organizado, o fortalecimento das forças policiais e a garantia da ordem pública. Caiado também tem adotado um discurso conservador e de centro-direita, além de defender a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, tema que passou a integrar sua agenda política nacional.

Zema, por sua vez, apresenta uma plataforma marcada pelo liberalismo econômico e por críticas diretas ao governo Lula. O governador mineiro defende a redução do tamanho do Estado, mudanças em programas sociais como o Bolsa Família, com foco na geração de empregos, e maior alinhamento do Brasil a países ocidentais. Zema também tem feito ataques ao Judiciário e defende a anistia política como forma de promover o que chama de pacificação nacional.

Outro que se movimenta para viabilizar seu nome como candidato à Presidência da República é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Em maio de 2025, ele deixou o PSDB, legenda à qual esteve filiado por mais de duas décadas, e ingressou no PSD. Desde então, Leite passou a se apresentar publicamente como pré-candidato, participou de encontros com bancadas partidárias, lideranças políticas e representantes do setor produtivo e tem defendido um discurso de moderação, com foco na redução da polarização e na construção de um projeto nacional.

Novos nomes e “Terceira Via”: Aldo Rebelo e Renan Santos

Colagem de fotos com os rostos do ex-ministro Aldo Rebelo e do presidnete do partido Missão, Renan Santos
Aldo Rebelo e Renan Santos são pré-candidatos a chefe do poder Executivo federal. (Foto: José Cruz/Agência Brasil e Reprodução/Redes Sociais)

Outros nomes correm por fora na corrida presidencial de 2026, casos do ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo, e do “outsider” Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL). Eles tentam se vender como uma “terceira via” aos nomes já postos no tabuleiro político.

Ex-ministro de vários governos e veterano do cenário político, Rebelo deixou o MDB e se filiou ao Democracia Cristã (DC), pelo qual anunciou que vai oficializar sua pré-candidatura em evento marcado para 31 de janeiro, em São Paulo — gesto que formaliza sua intenção de concorrer ao Palácio do Planalto.

Rebelo tem tentado moldar sua campanha em torno de temas como “retomada do crescimento”, redução das desigualdades e revalorização da democracia, além de propor pautas polêmicas como anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, numa tentativa de ressignificar sua trajetória política após décadas no espectro partidário brasileiro.

Já Renan Santos tem buscado consolidar sua presença no cenário presidencial com uma estratégia de campanha que mistura discurso ideológico e mobilização territorial. Depois de coordenar a criação do Partido Missão como alternativa política e estruturar a legenda para as eleições de 2026, ele cumpriu agenda de visitas a estados como Pernambuco no início de janeiro, além de multiplicar entrevistas e aparições para promover suas propostas, que incluem combate ao crime organizado e reformas no funcionamento do Estado.

Quer receber notícias no seu celular? Entre no canal do Whats do Ric.com.br. Clique aqui.

Sérgio Luis de Deus

Editor

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE