Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentará o quarto mandato presidencial em 2026 e deve contar com o apoio de partidos de esquerda e do centro na campanha. Mas a tendência é que o petista conte com menos legendas na chapa do que em 2022.

Lula; chapa de candidato a reeleição deve contar com partidos da esquerda e do centro
Lula tentará o quarto mandato presidencial em 2026. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Além disso, partidos que contam com ministérios no terceiro mandato de Lula, como o MDB e o PSB, não devem apoiar o candidato, ao menos não no primeiro turno.

Lula já é o maior vencedor de disputas presidenciais na história (três eleições) e tenta ampliar o recorde em 2026.

Vale ressaltar, que apenas Jair Bolsonaro (PL), em 2022, não conseguiu se reeleger na disputa presidencial seguinte.

Federação Brasil da Esperança: o núcleo fixo (PT, PCdoB e PV)

Equipe ministerial de Lula, entre eles Rui Costa, Geraldo Alckmin, Margareth Menezes, Alexandre Silveira e Gleisi Hoffmann
Federação Brasil da Esperança seguirá vigente em 2026. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A reforma eleitoral de 2021 criou o conceito de federação partidária. Anteriormente os partidos podiam formar coligação, no qual todos tinham autonomia política, embora os votos dentro dessa chapa contavam em um bloco único.

A federação não funde os partidos, mas coloca eles em disputa como um bloco só. Portanto, os votos em um candidato do PV, do PCdoB ou do PT valem o mesmo dentro dos cálculos de quocientes.

Alem disso, a federação diminui a autonomia dos partidos que foram esse grupo dentro dos estados. Isso porque as definições de apoios vêm diretamente das diretivas nacionais, o que coloca os núcleos regionais com menos autonomia.

A Federação Brasil da Esperança, a qual esses partidos formam, tem validade até as Eleições 2026.

Assim, caso desejam continuar em federação para as Eleições Municipais de 2028, os partidos precisam formar novamente esse bloco.

Partidos da Base Aliada: PSB, PDT e Avante

Geraldo Alckmin e Lula
Alckmin pode ser vice de Lula novamente. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Para a disputa eleitoral, Lula deve contar com apoios similares ao que conseguiu nas eleições presidenciais de 2022.

O PSB é o principal aliado do PT fora da Federação Brasil da Esperança, com a tendência de Geraldk Alckimin sendo vice de Lula novamente.

Além disso, o PSB conta com palanques importantes em estados, o principal deles, com João Campos em Pernambuco.

Com a saída de Ciro Gomes, o PDT também deve oficializar apoio a Lula nas eleições. O partido perdeu corpo nacionalmente, mas ainda conta com palanque em centros importantes, como no Paraná, com Requião Filho.

O Avante é o menor partido dessa coalisão, com o maior nome da legenda sendo o deputado federal André Janones. Por outro lado, Janones foi um dos campeões de votos em Minas Gerais em 2022, estado fundamental para a disputa presidencial.

Uma possível perda, na comparação com 2022, é o Solidariedade. Antigos amigos e ícones sindicais, a relação entre Lula e Paulinho da Força está estremecida, em especial, após o deputado federal ter aprovado o relatório favorável a anistia dos manifestantes de 8 de janeiro de 2023.

O “Centrão” no Governo: PSD e MDB estarão com o PT em 2026?

Hugo Motta e Lula
Presidente da Câmara prometeu bom relacionamento com o Planalto em 2026 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Assim como nas eleições presidenciais de 2022, o Centrão vai se dividir entre a neutralidade e o apoio a candidatura de um Bolsonaro – no caso, do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O União Brasil fechou federação com o PP e por isso os partidos seguirão juntos na disputa deste ano. Mas com Ciro Nogueira próximo dos Bolsonaro, a tendência é de apoio a candidatura do PL.

Já o PSD de Gilberto Kassab acena com candidatura própria nestas eleições, tendo três presidenciáveis na disputa interna. Em um eventual segundo turno, Kassab deve liberar os partidários a realizarem os apoios que desejarem, caso não estejam mais no páreo.

Por fim, o MDB é o partido com mais chances de apoiar Lula em algum momento da disputa ou, ao menos, liberar nomes da legenda para o fazê-lo.

Nomes como o ministro dos Transportes, Renan Filho, e do governador do Pará, Helder Barbalho, são próximos a Lula e oferecem palanques importantes ao presidente nas regiões Norte e Nordeste.

Apoio da Esquerda Independente: PSOL e REDE

Lula e Guilherme Boulos
Guilherme Boulos foi um dos últimos ministros nomeados por Lula. (Foto: Valter Campanato Agência Brasil)

A Federação PSOL REDE não lançou candidatura própria nas eleições presidenciais de 2022 e deve manter a tendência neste ano.

Com as principais lideranças das legendas como Guilherme Boulos e Marina Silva próximas a Lula, a tendência é de composição nacional, com alguns possíveis embates pelos governos estaduais.

A tendência, inclusive, é que Marina possa ser um nome apoiado por Lula para a disputa do Senado Federal em São Paulo.

Quem são os ministros de Lula que devem deixar o cargo para a campanha de 2026?

Marina Silva
Marina Silva tem manifestado interesse em disputar o Senado. (Foto: Marcelo Camargo Agência Brasil)

Dos 38 ministros de Lula, ao menos dez deles devem disputar algum cargo público nas Eleições 2026.

Gleisi Hoffmann já confirmou que disputará o Senado Federal pelo Paraná, sendo a única com posição consolidada.

Alckmin pode ser vice novamente ou disputar a eleição para o Governo de São Paulo ou o cargo de Senado pelo estado.

Ainda são apontados como possíveis candidatos ao Governo de São Paulo Fernando Haddad e Simone Tebet (MDB).

Como mencionado anteriormente, Marina Silva também deseja disputar uma vaga ao Senado em São Paulo.

Outros nomes como André de Paula, André Fufuca, Celso Sabino, Jader Filho, Paulo Teixeira e Silvio Costa Filho também podem disputar cargos legislativos dentro dos respectivos estados.

Por fim, Camilo Santana e Wellington Dias devem se licenciar do cargo para ajudar a articulação política de Lula dentro do Nordeste.

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Jorge de Sousa

Editor

Jorge de Sousa é formado em jornalismo desde 2016, pós-graduado em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral e especializado na cobertura de pautas sobre Política, do Paraná e do Brasil, além de matérias sobre Agronegócio e Esportes.

Jorge de Sousa é formado em jornalismo desde 2016, pós-graduado em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral e especializado na cobertura de pautas sobre Política, do Paraná e do Brasil, além de matérias sobre Agronegócio e Esportes.