O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ainda não se declarou pré-candidato a algum cargo público nas Eleições 2026, mas colegas do Partido dos Trabalhadores têm pressionado Haddad a disputar o Governo de São Paulo, em novo duelo contra Tarcísio de Freitas (Republicanos).

No último domingo (25), o ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT), “cobrou” Haddad a entrar na disputa contra Tarcísio, em entrevista ao O Globo.
“Uma candidatura presidencial precisa ter grandes palanques nos estados. No caso de São Paulo, os dois grandes nomes são (Geraldo) Alckmin e Haddad. É questão de missão. Não é querer ou não querer. Muitas vezes precisamos nos colocar à disposição em nome do projeto nacional, independentemente se vamos ser vitoriosos ou não”, declarou Santana.
Em 2022, Haddad e Tarcísio já se enfrentaram na disputa pelo Governo de São Paulo. Após ambos eliminaram Rodrigo Garcia (PSDB), governador à época, no primeiro turno, com o ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) tendo derrotado o petista por uma diferença superior a 2 milhões de votos – 13.480.643 contra 10.909.371 (55,27% a 44,73%) na decisão.
Caso Haddad decida disputar novamente o Governo de São Paulo, um segundo turno entre ele e Tarcísio marcaria um feito inédito no estado, desde a redemocratização: nunca houve embates seguidos entre os mesmos candidatos em eleições seguidas.
Na última semana, Tarcísio utilizou as redes sociais para confirmar que é pré-candidato à reeleição em São Paulo, o que afasta o atual governador paulista da disputa presidencial.
Palanque de Haddad auxiliou Lula na disputa contra Bolsonaro em 2022

A pressão de Camilo Santana por um palanque forte do PT em São Paulo é justificada, quando analisamos as disputas presidenciais de 2018 e 2022.
Em 2018, Haddad era o candidato petista a presidente, enquanto em São Paulo, o atual ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, concorreu ao governo.
Marinho recebeu apenas 2.563.922 e ficou na quarta colocação da disputa, fora do segundo turno.
Já Haddad, na disputa do segundo turno contra Bolsonaro, foi derrotado por uma diferença superior a 8 milhões de votos em São Paulo – 15.306.023 contra 7.212.132.
Quatro anos depois, Haddad perdeu a disputa no segundo turno para Tarcísio, mas o desempenho de Lula em São Paulo foi superior ao colega de partido: 14.216.109 de Bolsonaro contra 11.519.458 do petista; 4,3 milhões a mais que em 2018 e com menos de 3 milhões de diferença ao adversário.
Quem é Fernando Haddad, possível rival de Tarcísio de Freitas ao Governo de São Paulo

Fernando Haddad tem 62 anos e é um dos principais nomes do PT na atualidade. Ministro da Fazenda, já ocupou a pasta da Educação nos mandatos de Lula e Dilma Rousseff (PT), além de ter sido o segundo petista a ser eleito Prefeito de São Paulo (2013 a 2017).
Professor de Ciências Políticas e advogado, Haddad se envolveu com movimentos estudantis na década de 1980 e chegou a ser investigado pelo Exército, antes da redemocratização.
Mas foi apenas em 2001 que Haddad ingressou na política, ao ser nomeado chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico de São Paulo, no mandato da prefeita Marta Suplicy (PT).
Haddad conseguiu chamar a atenção do núcleo petista em Brasília, primeiro ao trabalhar com o então ministro do Planejamento, Guido Mantega, e depois ao ser nomeado para chefiar o Ministério da Educação (MEC), em 2005.
Entre as principais contribuições de Haddad na pasta estão a criação do Programa Universidade para Todos (Prouni), que ampliou o acesso de bolsas de estudo para estudantes de escola pública, além da remodelação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que permitiram nos anos seguintes a adequação da prova para qualificação ao Sistema de Seleção Unificada (SISU).
A primeira eleição disputada por Haddad foi em 2012, quando venceu José Serra (PSDB) e se tornou prefeito de São Paulo. Mas quatro anos depois, o petista sofreu com a crescente rejeição ao PT e foi derrotado na disputa pela reeleição por João Dória (PSDB), ainda no primeiro turno.
Mesmo com a derrota, em 2018, o PT decidiu lançar Haddad como candidato a presidente, em detrimento a outros candidatos de esquerda, como Ciro Gomes e Marina Silva, enquanto Lula estava preso.
O petista cresceu rapidamente no primeiro turno e deixou Gomes e Marina para trás. Mas na disputa com Bolsonaro no segundo turno foi vencido pelo então candidato do PSL. Essa foi a primeira derrota do PT em uma disputa presidencial, desde a eleição de Lula em 2002.
Quer receber notícias no seu celular? Entre no canal do Whats do Ric.com.br. Clique aqui.