O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu o fim da escala de trabalho 6 x 1, a definição de mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a investigação de seu filho no caso dos descontos ilegais do INSS, nesta quinta-feira (5), em entrevista ao UOL News. Demonstrou ainda confiança na reeleição para mais um mandato e disse que o Brasil pode participar do Conselho de Paz criado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Veja abaixo o que ele falou de mais importante:

Investigação de Lulinha
Lula fez questão de reforçar o discurso de que não haverá qualquer tipo de proteção especial ao seu filho ou a qualquer outra pessoa. Afirmou que conversou com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, sobre um possível envolvimento dele no caso de descontos ilegais de aposentadorias do INSS. O presidente reforçou que a orientação do governo no caso é que “investigue o que tiver que investigar”.
Lulinha não é formalmente investigado no caso até o momento, mas seu nome surgiu ao longo das apurações como alguém com alguma ligação com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS.
Mudança na jornada de trabalho
O presidente defendeu a redução da jornada de trabalho e disse que estabelecerá um diálogo com o Congresso Nacional para aprovar a redução da escala 6×1. “Hoje, um jovem, uma menina, ele não quer mais levantar cinco horas da manhã e ficar até seis horas dentro de uma fábrica, pegando um ônibus lotado”, justificou.
“Quem viveu no mundo do trabalho como eu, sabe que hoje a juventude e as mulheres querem mais tempo, mais tempo para estudar, mais tempo para cuidar da família. Com o avanço tecnológico, a produção aumentou muito. Então, você não precisa exigir de todo mundo isso”, disse.
Redução da taxa de juros
Lula afirmou que diz todos os dias ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que os juros estão altos, mas que confia no trabalho dele. A taxa Selic está atualmente em 15%. “Como eu trabalho numa relação de confiança, eu acredito naquilo que o Galípolo está fazendo. Acredito, confio, agora eu não posso nem tirar ele, porque eu indiquei ele, mas o mandato tem autonomia”, comentou.
Mandato no Supremo
O presidente defendeu a discussão sobre a definição de mandatos para ministros do STF. Atualmente, os magistrados não têm mandatos com tempo definido e podem ficar até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.
“Acho que nós precisamos discutir isso, porque também não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75. Não é justo, é muito tempo”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente disse que a discussão sobre os mandatos não tem relação com o julgamento dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. “Acho que pode ter um mandato, mas isso é um processo a ser discutido com o Congresso Nacional, que não tem nada a ver com o 8 de janeiro, com o julgamento do 8 de janeiro.”
Conselho de Paz
Lula afirmou que o Brasil participará do “Conselho de Paz” criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se o objetivo do colegiado for se voltar para a questão da Faixa de Gaza. “Eu disse ao presidente Trump que, se o Conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo o interesse de participar. Agora, é muito estranho que você crie um conselho e você não tenha um palestino na direção desse conselho”, declarou.
Enconto com Vorcaro
O presidente confirmou um encontro fora da agenda com o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, que foi preso acusado de irregularidades na venda de investimentos. Lula disse a ele que não haveria “posição política” a favor ou contra a empresa, mas, sim, uma “investigação técnica”. A reunião com o banqueiro foi mediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, em dezembro de 2024. Lula disse que chamou Gabriel Galípolo, à época indicado ao BC, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para acompanharem a reunião.
Lula tratou com naturalidade a sua decisão de receber o empresário. “Primeiro, eu já recebi, neste mandato meu, o Itaú, o Bradesco, o Santander, o BTG Pactual. Todos os bancos eu já recebi”, declarou. Lula disse que Vorcaro relatou que sofria de “perseguição”.
Confiança na reeleição
Lula disse estar confiante em sua reeleição neste ano e afirmou que o objetivo de sua campanha será atrair “as pessoas que ainda têm flexibilidade ideológica” para o seu lado.
“Nós vamos ganhar as eleições outra vez. E nós vamos ganhar, não é porque eu sou bom, mas porque o Brasil precisa de democracia”, disse o presidente Lula.
O petista reconheceu o ambiente altamente polarizado que a sociedade brasileira vive. Descreveu o momento da seguinte forma: “Quem não gosta de mim não gosta de mim, e quem não gosta deles não gosta deles”. E continou: “o que nós precisamos é achar, nesses 215 milhões de habitantes, as pessoas que ainda têm flexibilidade ideológica, que não acreditam em mentiras”, afirmou.
Cenário eleitoral em São Paulo
Lula disse que tanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto o vice-presidente, Geraldo Alckmin, sabem que “têm um papel a cumprir em São Paulo”. Foi a primeira cobrança pública feita pelo presidente aos dois aliados quanto à participação deles nas eleições estaduais paulistas. “Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo”, disse.
O presidente citou explicitamente os nomes de Haddad e Alckmin como possíveis candidatos a governador de São Paulo, incluindo o nome da ministra do Planejamento, Simone Tebet, também na equação.
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