A Praça do Cruzeiro, local previsto para receber a chegada da caminhada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) – neste domingo (25), não estava previsto para receber o final do protesto, em Brasília (DF). O parlamentar queria encerrar o ato na frente da Papudinha, presídio dentro do Complexo da Papuda, também na capital federal, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso. No novo espaço, um raio caiu e feriu 30 pessoas, oito com gravidade, na tarde deste domingo.

Alexandre de Moraes; ministro do STF vetou primeira opção e caminhada de Nikolas Ferreira terminou em local de queda de raio
Ainda não há informações de vítimas fatais do incidente. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Informações do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal apontam que após a queda do raio, os feridos foram encaminhados ao Hospital de Base e ao Hospital Regional da Asa Norte. Até o fechamento dessa matéria, não havia a confirmação de nenhuma vítima fatal do incidente.

A decisão de não realizar o final da caminhada na Papudinha foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira (23). A justificativa de Moraes para que manifestantes fossem presos caso estivessem no local é evitar novas ocorrências de depredação em Brasília, como a de 8 de janeiro de 2023.

Durante a caminhada até Brasília, Nikolas não entrou em embate com Moraes e reforçou que a manifestação tem caráter “pacífica e ordeira” e que “não passará pelas intermediações da Praça dos Três Poderes, Esplanada dos Ministérios”.

Antes de raio, Nikolas Ferreira fez carta aberta ao “povo brasileiro”

foto de nikolas ferreira e apoiadores em caminhada até brasília
Nikolas Ferrreira, durante caminhada até Brasília. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Durante a caminhada, o deputado chegou a escrever uma carta aberta ao povo brasileiro, na qual justifica o protesto.

Escrevo estas linhas para explicar, com o coração aberto, por que decidi caminhar de Minas Gerais até Brasília. Não é um gesto de vaidade. Não é espetáculo. É um ato de consciência, de amor ao Brasil e de compromisso com a liberdade.

A desumanização dos brasileiros presos após o dia 8, submetidos a processos ilegais, parciais e arbitrários, bem como a perseguição sistemática a opositores políticos, entre eles Jair Bolsonaro, não são fatos isolados. São sintomas de algo muito mais profundo e perigoso: o cansaço moral de uma nação que vê o mal triunfar sem consequências, escândalos sucederem escândalos, o crime organizado avançar sobre o território e as instituições, enquanto o cidadão honesto é esmagado por um Estado inerte para proteger o bem, mas voraz para cobrar impostos.

Esta caminhada nasce, portanto, não apenas como um clamor por justiça a casos concretos, mas como um chamado à consciência nacional, para reavivar no brasileiro a esperança, a coragem de fazer o que é certo e a disposição de enfrentar e derrotar o mal que tenta se normalizar entre nós. O povo brasileiro encontra-se inerte, não apenas pelo medo, como muitos acreditam, mas por um estado de paralisia psicológica construído de forma deliberada e intencional.

Dito isso, este ato é uma etapa pela liberdade e pelo tratamento digno aos presos do dia 8 de janeiro, que foram submetidos a violações de direitos humanos e de garantias fundamentais. E também ao Jair Bolsonaro, Filipe G. Martins, Coronel Naime e tantos outros que sofrem dos mesmos abusos processuais.

Por isso, esta causa passa, necessariamente, pela derrubada do veto à dosimetria das penas no Congresso.

Chegarei a Brasília no dia 25 de janeiro para mostrar, com presença física e pacífica, que ainda há brasileiros atentos, solidários e comprometidos com a justiça, com a dignidade humana e com a liberdade.

E se nada der “certo”? Ainda assim, precisamos fazer o que é certo, sem viver apenas da expectativa de que tudo dê certo. Se os presos injustamente do dia 8 e o presidente Jair Bolsonaro se sentirem acolhidos, perceberem o carinho do povo brasileiro, souberem que não estão abandonados e houver um despertar da consciência nacional, então cada quilômetro percorrido já terá valido a pena.

A caminhada será ordeira e pacífica. Não tem como objetivo praticar crimes ou gerar desordem. Trata-se apenas do exercício legítimo do direito de ir e vir e do direito de manifestação, garantidos pela Constituição a qualquer cidadão.

E não, esta caminhada não é uma bala de prata. Não é um gesto para resolver todos os problemas do Brasil, nem pretende substituir instituições, leis ou o dever de cada cidadão. Ela é, antes de tudo, um ato simbólico – e símbolos importam mais do que muitos imaginam.

Que cada brasileiro saiba: a liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé.

Pelo fim das prisões injustas,
Pelo fim da impunidade,
Pelo fim da perseguição política,
Pelo fim do ativismo judicial,

Por liberdade,

Nikolas Ferreira

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Jorge de Sousa

Editor

Jorge de Sousa é formado em jornalismo desde 2016, pós-graduado em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral e especializado na cobertura de pautas sobre Política, do Paraná e do Brasil, além de matérias sobre Agronegócio e Esportes.

Jorge de Sousa é formado em jornalismo desde 2016, pós-graduado em Direito Eleitoral e Processo Eleitoral e especializado na cobertura de pautas sobre Política, do Paraná e do Brasil, além de matérias sobre Agronegócio e Esportes.