O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou nesta quarta-feira (4) que o Congresso está articulando um acordo para acelerar a votação do tratado entre o Mercosul e a União Europeia.

Congresso deve tocar pauta do acordo Mercosul-UE a toque de caixa
A proposta é que, na Câmara dos Deputados, o texto vá direto ao plenário, sem passar pelas comissões. No Senado, a tramitação seguiria o rito normal, com análise na CRE e, depois, no plenário.
“Esse acordo não pode ser emendado por nenhum parlamentar. Ou se vota ‘sim’ ou ‘não’, o que facilita o encaminhamento da votação”, disse o senador a jornalistas.
A CRE criará um grupo de trabalho para supervisionar o andamento do acordo. De acordo com Trad, a previsão é que a votação seja concluída no Senado na primeira quinzena de março.
O que é o acordo Mercosul-UE?
Apoiado pelos países pecuaristas da América do Sul e pelos interesses industriais europeus, o acordo Mercosul-União Europeia tem como objetivo eliminar gradualmente mais de 90% das tarifas sobre produtos que vão desde a carne bovina argentina até os carros alemães, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e tornando as compras mais baratas para mais de 700 milhões de consumidores.
A França, o maior produtor agrícola da Europa, queria proteções mais fortes para os agricultores e tentou adiar o pacto. No entanto, o chanceler alemão Friedrich Merz chamou a votação de adiamento de “lamentável” e pediu a aplicação provisória do acordo. A ratificação é considerada praticamente garantida na América do Sul, onde o acordo tem amplo apoio.
O Mercosul é formado pelas duas maiores economias da região, Brasil e Argentina, além de Paraguai e Uruguai. A Bolívia, o mais novo membro do bloco, não está incluída no acordo comercial, mas poderá aderir nos próximos anos.
Para o presidente da Nelsinho, o acordo tem potencial para impulsionar a geração de empregos, renda e investimentos no interior do país. Ele destacou os benefícios para Mato Grosso do Sul, lembrando que, em 2025, o estado exportou US$ 1,3 bilhão para a União Europeia. “Precisamos de previsibilidade, acesso efetivo aos mercados e respeito ao produtor”, afirmou.
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