Brasil - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou uma série de países para integrar o Conselho de Paz, grupo criado por ele nesta quinta-feira (22) em cerimônia em Davos, na Suíça. Entre eles, o Brasil. Mas até agora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não respondeu ao convite. Em um primeiro momento, o conselho irá supervisionar a situação na Faixa de Gaza com o cessar-fogo estabelecido entre Israel e Hamas, mas o próprio Trump já falou que o grupo poderá atuar em outras questões mundiais.

Donald Trump e Lula, após reunião na Malásia; Presidente dos Estados Unidos ameaça taxar novamente o Brasil
Trump convidou o Brasil de Lula para integrar o Conselho da Paz. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Em entrevista a jornalistas na Casa Branca na terça-feira (20), Trump confirmou o convite ao Brasil, disse que “gosta” de Lula e que ele teria um “grande papel” dentro do Conselho da Paz.

Por que o Brasil ainda não aceitou

Em Brasília, o clima é de espera. O Itamaraty tem feito reuniões constantes para discutir o assunto, mas a palavra final será de Lula. O principal entrave para integrar o novo órgão é a tradição diplomática brasileira a favor do multilateralismo e do papel que a Organização das Nações Unidas (ONU) exerce como mediadora de conflitos.

O Brasil enxerga na iniciativa norte-americana uma ação deliberada para enfraquecer a ONU e outros organismos internacionais. Além disso, embora o Conselho da Paz seja composto por outros países, a decisão final sobre tudo que ocorrer no grupo será de Trump, em uma espécie de multilateralismo “fake”.

“Todo mundo quer fazer parte do Conselho de Paz”, disse o presidente do EUA em Davos, na Suíça. A verdade é que não é bem assim. Países como Noruega, Suécia, França, Eslovênia e Reino Unido já anunciaram que não devem se juntar ao grupo.

Qual é o risco do Brasil dizer “não” ao Conselho da Paz

No caso do Brasil, não é tão fácil dizer “não”. Lula não quer abalar o bom momento do país nas relações com os EUA e, principalmente, com Trump. A questão é como rejeitar o convite sem melindrar o presidente norte-americano.

A tendência, por ora, é que o Brasil repita a estratégia adotada na crise das tarifas comerciais impostas pelos EUA, que atingiram em cheio a balança comercial brasileira no ano passado, e dar tempo ao tempo. Enquanto isso, Lula observa a movimentação de outros países como China, Rússia e Japão antes de tomar uma decisão.

Segundo Trump, 59 países já estão alinhados para participar do conselho. Oficialmente, porém, apenas 22 já disseram “sim”. São eles: Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Marrocos, Paraguai, Turquia, Uzbequistão e Vietnã.

Os países convidados, caso aceitem, terão três anos de mandato. Para ter uma cadeira permanente no Conselho de Paz de Trump, os interessados terão de pagar US$ 1 bilhão, fundo que será administrado exclusivamente pelos Estados Unidos.

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Sérgio Luis de Deus

Editor

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE

Jornalista formado pela PUCPR com 25 anos de carreira. Especializado em política, economia e cotidiano. Pós-graduado em Sociologia Política pela UFPR e em Planejamento/Gestão de Negócios pela FAE