Cabral passou a noite na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo)

A transferência foi solicitada para por fim as regalias que Cabral estaria recebendo na Cadeia Pública em Benfica

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, chegou a Curitiba, capital do Estado do Paraná, por volta das 22h30, na noite desta quinta-feira (18) e foi recepcionado com fogos de artifício. Os Ministérios Públicos do Rio de Janeiro e do Paraná solicitaram a transferência para por fim as regalias que o político estaria recebendo na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, zona norte do Rio de Janeiro, onde estava preso até então. O político foi condenado a 14 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Cabral passou a noite na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e deverá ser transferido ainda nesta sexta-feira (19) para o Complexo Penal em Pinhais, na região metropolitana da capital. Antes ele deverá passar por exames de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML).

Sua esposa também chegou a ser presa, mas hoje cumpre prisão domiciliar – concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em dezembro de 2017. Adriana Ancelmo é acusada de participar ativamente dos crimes cometidos pelo marido. Em sua acusação constam lavagem de ativos, crimes de quadrilha e pertinência a organização criminosa. Segundo a denúncia, ela adquiriu joias e pedras preciosas e utilizou contratos de seu escritório a fim de tornar lícito o capital da propina.

Complexo Penal em Pinhais

A nova casa do ex-governador é famosa por abrigar outros presos da Operação Lava Jato como:

Eduardo Cunha (PMDB/RJ), ex-presidente da Câmara dos Deputados. O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta terça-feira (16) 386 anos de prisão e R$ 13,7 milhões de multa como condenação ao deputado cassado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e prevaricação.  

André Vargas (PT/PR), ex-vice-presidente da Câmara, preso desde abril de 2015, condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-deputado recebeu, pelo menos, R$ 1.103.950,12 de pagamento de propina, segundo o juiz Sérgio Moro.

João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), condenado a 24 anos de prisão por ‘solicitar, aceitar e receber para si e para o Partido dos Trabalhadores valores espúrios’ oferecidos pelo grupo Keppel Fels, empresa que tinha contratos com a Petrobras, conforme palavras dos desembargador João Pedro Gebran Neto.

Transferência

Os juízes federais Sergio Moro, de Curitiba, e Caroline Vieira Figueiredo, do Rio de Janeiro, determinaram a transferência de Sergio Cabral motivados pelas supostas regalias que o ex-governador vinha recebendo. Entre elas, uma grande reforma que teria sido feita no local, inclusive, com a instalação de uma sala de cinema, uma academia e uma videoteca. Entre as vantagens, o político condenado também recebia visitas fora dos horários previstos por lei e tinha acesso a produtos de ‘delicatessen’ como queijos, frios e quitutes de bacalhau, chaleira elétrica e farta quantidade de medicamentos.

Moro justifica a mudança de presídio lembrando que além de governador, o acusado também já foi presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e possui relações suficientes com autoridades para garantir que os privilégios continuem. Ele ainda lembra que o mesmo aconteceu com Eduardo Cunha, que também precisou ser levado para longe de onde seus braços políticos exerciam grande influência.

“Mantendo-o no Rio de Janeiro, constituirá um verdadeiro desafio às autoridades prisionais ou de controle prevenir a ocorrência de irregularidades e privilégios”, escreveu o juiz nos documentos.

Defesa

Um dos advogados responsáveis pela defesa do ex-governador disse estranhar que a decisão tenha sido tomada no período de recesso e não nos meses de novembro ou dezembro. Ele ainda alega que as questões que motivaram a transferência ocorreram em outubro de 2017.

Assista ao vídeo do momento em Sérgio Cabral chega à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. (Imagens: Marcelo Borges):

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