Uma indústria resiliente, que conviveu com diversos desafios em 2025, mas que segue disposta a contribuir ainda mais para o desenvolvimento do Paraná e do Brasil em 2026. É assim que o presidente do Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, avalia o cenário do setor industrial do estado na virada de ano. Ele foi o entrevistado especial de mais um episódio do Momento Indústria.

Edson Vasconcelos, presidente do Sistema Fiep, durante gravação do Momento Indústria, do Sistema Fiep
Edson Vasconcelos, presidente do Sistema Fiep: propósito da entidade é transformar o Paraná no melhor lugar para a indústria no Brasil (Foto: Reprodução)

No programa, Vasconcelos faz uma análise de questões que vêm afetando a indústria do Paraná em nível internacional, nacional e estadual. “No ambiente internacional tivemos talvez o maior desafio de todos, que foi esse realinhamento do trade mundial provocado pelos Estados Unidos, com o tarifaço, e com a União Europeia, trazendo algumas mudanças na classificação brasileira, devido a uma lei de antidesmatamento, que atingiu diretamente produtos brasileiros”, explica, ressaltando que essas medidas impactaram principalmente o setor de produtos de madeira, um dos mais expressivos nas exportações paranaenses.

Peso dos tributos

Nas questões nacionais, o presidente do Sistema Fiep afirma que a indústria vem tendo dificuldade de perceber avanços que contribuam para a melhoria do ambiente de negócios. Pelo contrário, o setor tem sofrido com constantes aumentos de tributos definidos pelo governo federal. “O avanço tributário e arrecadatório do governo foi muito consistente, e parece que não para”, diz. “Parece que o governo federal tem uma dificuldade muito grande de perceber a vinculação entre a produtividade e a capacidade de carga tributária que nós temos comparativamente com mercados emergentes”, completa.

Energia e infraestrutura

Em nível estadual, Vasconcelos afirma que a indústria enfrenta alguns desafios cotidianos, como no caso do fornecimento de energia elétrica, fator essencial para as empresas, especialmente aquelas que possuem linhas de produção mais automatizadas. “Nossa matriz energética é limpa e renovável, porém temos uma dificuldade muito grande no fornecimento”, explica. “As quedas de energia foram muito percebidas pelo industrial e parece que se agravaram após a privatização da Copel. Sempre estamos mantendo diálogo, mas parece que chegamos em uma encruzilhada em que aparentemente não há soluções. A divulgação de investimentos não está se refletindo em soluções na ponta, e isso nos dá uma preocupação muito grande”, acrescenta.

Além disso, a Fiep segue defendendo um planejamento efetivo para aprimorar a infraestrutura de transportes do Paraná, outro fator fundamental para a competitividade do setor. “Não conseguimos colocar nosso produto em um contêiner e levar para o Norte do país. Vendemos para o mundo, mas não vendemos no mercado interno porque o frete nos tira quase total competitividade no Norte do país”, diz. “A preocupação que nós temos é que, ao longo do tempo, a gente consiga ter planejamento de médio e longo prazo que vá diminuindo essa falta de capacidade do Custo Brasil. Quando a Fiep levantou que hoje nós perdemos por ano, no Paraná, R$ 1,5 bilhão pela ineficiência logística, isso é importante, porque muitas vezes é mais caro do que a tarifa que os Estados Unidos colocaram”, completa.

Atuação em 2026

Para este ano, que será marcado por eleições em nível federal e estadual, Vasconcelos aponta que uma das prioridades da Federação será apresentar propostas que contribuam para a construção de uma política industrial. “Precisamos ofertar aos candidatos, àqueles que vão ter um desafio pelos próximos quatro anos, uma colaboração para que eles percebam que esses desafios são estruturantes. Algumas ações são fundamentais e o Estado precisa entender que essa escuta ativa traz uma capacidade gigante de dizer qual é a dor, então precisamos colaborar”, explica.

“Nosso propósito, que está muito claro para todo o setor, é ajudar a transformar o estado do Paraná no melhor lugar do Brasil para se montar uma indústria”, diz o presidente do Sistema Fiep. “Isso se faz com a melhor energia, a melhor logística, a melhor desburocratização, a melhor empregabilidade, um conjunto de ações que vai fazer com que eu não tenha como não montar uma indústria no Paraná”, acrescenta.

Veja o episódio completo do Momento Indústria

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