O ano de 2025, marcado por disputas geopolíticas e medidas protecionistas que resultaram em taxações de importações, apresentou um cenário bastante desafiador para empresas que atuam no comércio exterior. Ainda assim, indústrias paranaenses conseguiram avançar na conquista de novos mercados, ampliando a presença de produtos do estado no cenário global. Estratégias utilizadas pelas empresas ao longo do ano e o apoio da Federação das Indústrias do Paraná nessa área foram temas de mais uma edição do programa Momento Indústria.

Danilo Benke, CEO da Erva Mate Paraná, durante entrevista no Momento Indústria
Danilo Benke, CEO da Erva Mate Paraná, relata a trajetória da empresa rumo ao mercado internacional (Foto: Reprodução)

O gerente de Relações Internacionais da Fiep, Higor Bezerra de Menezes, um dos participantes do episódio, destacou inicialmente alguns dos obstáculos impostos a empresas exportadoras. “Temos grandes mercados tomando medidas mais protecionistas, e isso acaba tendo grande impacto sobre setores específicos”, diz.

Ao mesmo tempo, ele destaca que produtos paranaenses passaram a ter abertura em outros mercados. “Temos expandido bastante a própria presença aqui no Mercosul. A gente entende que nunca o produto da indústria paranaense alcançou destinos tão diversificados e tão longínquos como temos agora”, completa.

Para Menezes, isso se deve principalmente a algumas características do estado, que já possui um ecossistema de internacionalização bastante consolidado. “O Paraná tem uma vocação de parceria entre as instituições, no caráter técnico, para que a gente realmente consiga trabalhar junto para trazer resultados. O mundo todo busca novos mercados, os investidores estrangeiros também buscam oportunidades no Brasil e na América do Sul, mas o diferencial é como a gente trabalha em conjunto para trazê-los para o nosso estado”, explica.

Missões e capacitações

Uma das estratégias utilizadas por essas instituições, incluindo a Fiep, para possibilitar que empresas do Paraná possam vislumbrar oportunidades de negócios no exterior é a realização de missões internacionais a feiras em outros países. Foram mais de 30 em 2025. Além disso, são promovidas rodadas de negócios, aproximando indústria paranaenses de potenciais compradores estrangeiros. No ano, essas ações organizadas pela Fiep contaram com a participação de mais de 300 empresários. “São números grandes, que mostram o interesse do industrial brasileiro em se internacionalizar, mesmo em um ano tão desafiador”, afirma.

Além das missões e rodadas de negócios, o gerente destaca que a Fiep tem uma ampla gama de serviços para apoiar empresas de todos os portes em seus processos de busca por novos mercados. “A Federação tem soluções de A a Z na temática da internacionalização, voltadas desde a média e grande empresa que quer um investimento estrangeiro até a empresa que está começando agora e que quer ganhar o mundo”, diz. “São programas desde capacitações mensais que o empresário pode fazer, muitas delas até mesmo gratuitas se ele é associado a um sindicato patronal, até o apoio na emissão de documentos para a exportação”, acrescenta.

Exemplo prático

Para exemplificar como empresas de qualquer porte podem se lançar no mercado internacional, o episódio do Momento Indústria conta também com a participação do industrial Danilo Benke, CEO da Erva Mate Paraná. “A empresa foi fundada já para se internacionalizar e mandar para o mundo inteiro. Ficamos praticamente oito anos preparando os produtos para atingir o mercado internacional”, explica.

Toda essa estratégia, segundo Benke, ganhou mais impulso em 2025, quando a empresa, com o auxílio da Fiep, participou de feiras nos Estados Unidos e na Alemanha, além de visitar potenciais parceiros e clientes em países como Polônia, Rússia e República Tcheca. “Quando tivemos o apoio de instituições como o governo e a Fiep, que dão incentivos de várias formas, começamos a participar de feiras e a exportar os nossos produtos”, conta.

O industrial revela, ainda, que várias etapas do processo de produção e comercialização dos produtos precisam ser adaptadas para que a empresa tenha sucesso no mercado externo. “Todas as nossas embalagens começaram a ser produzidas em duas línguas e com uma roupagem mais internacional, sem esquecer de vender um pouco da brasilidade, porque eles procuram isso. Todos esses detalhes você cuida desde o momento em que pensa em internacionalizar”, afirma.

Para Benke, o caso da Erva Mate Paraná é um exemplo de que qualquer indústria pode pensar em exportações. “Nossa empresa tem só 10 anos, somos uma pequena empresa jovem, e participamos de programas e rodadas de negócios. Por isso, sugiro aos empresários, pequenos, médios ou até grandes, que procurem a Fiep e vejam quais são as parcerias que dá para se fazer. Nós fizemos tudo isso e hoje estamos indo para as feiras e concretizando todo esse aprendizado e esforço nessa parceria que a gente fez”, diz.

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