SÃO PAULO (Reuters) – A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (10) que elevará os preços do diesel em cerca de 25% em suas refinarias, enquanto os valores da gasolina deverão subir quase 19%, na esteira dos ganhos nas cotações do petróleo no mercado internacional em função da guerra na Ucrânia.

A Petrobras afirmou que aumentará o preço médio do diesel para 4,51 reais o litro, ante 3,61 reais o litro. No caso da gasolina, o valor passará a 3,86 reais o litro, ante 3,25 reais, ambos vigorando a partir de sexta-feira (11).

A empresa relatou ainda que o preço médio de venda do GLP (gás de cozinha) para as distribuidoras passará de 3,86 reais para 4,48 reais por kg.

De acordo com o Paranapetro – Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná, o aumento terá grande impacto para os consumidores, o mercado e a economia em geral.

O sindicato também afirma que “desde o último final de semana algumas distribuidoras já começaram a aumentar os preços de venda para os postos, antes de qualquer anúncio oficial de elevação na Petrobras, alegando uma maior entrada de combustíveis importados no mercado”. O Paranapetro afirma também que algumas distribuidoras costumam repassar os aumentos com grande agilidade para os postos, muitas vezes de imediato.

Já a Petrobras disse em nota que, apesar da disparada dos preços do petróleo e seus derivados em todo o mundo, nas últimas semanas, a empresa decidiu não repassar a volatilidade do mercado de imediato, porém o reajuste foi necessário para garantir o abastecimento do mercado, uma vez que a empresa não garante todo o suprimento, que depende de importações.

“Após serem observados preços em patamares consistentemente elevados, tornou-se necessário que a Petrobras promova ajustes nos seus preços de venda às distribuidoras para que o mercado brasileiro continue sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”, afirma a empresa.

A Petrobras afirma ainda que esse movimento “vai no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que já promoveram ajustes nos seus preços de venda”, confirmando a tendência apontada pelo Paranapetro.

A empresa afirmou ainda que os preços de gasolina e diesel serão reajustado após 57 dias sem mudanças. E, no caso do GLP, após 152 dias.

A nota da Petrobras diz ainda que a empresa “reitera seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, acompanhando as variações para cima e para baixo”.

“A forte alta anunciada nos preços dos combustíveis diminui, mas não acaba com a defasagem ante os valores externos”, ressalta o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Pedro Rodrigues.

Ele estimou a defasagem do diesel em torno de 19%, enquanto na gasolina está agora, já considerando o preço do petróleo e os novos reajustes da Petrobras, em 20%.

“Ainda há uma defasagem e acho complicado a Petrobras acompanhar e alinhar por questões políticas. A Petrobras é o bem e o mal ao mesmo tempo. Sempre que ajusta preços, aumenta a inflação e tem impacto na economia, ela é vista como o mal”, afirmou.

Ele acrescentou que há muitas incertezas, o “cenário ainda é bem nebuloso, e não houve acordo entre Rússia e Ucrânia e nem mesmo se tem a certeza que a Opep vai ampliar a oferta”.

“Ou seja, se tem um viés para o petróleo, segue sendo de alta…”, disse.

Nesta quinta-feira, o petróleo Brent subia cerca de 6%, a 117,80 dólares o barril, após despencar mais de 10% na véspera.

( Roberto Samora e Gabriel Araujo, com reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier)

10 mar 2022, às 11h31. Atualizado às 13h58.

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