Caso Daniel Corrêa e família Brittes: linha do tempo do crime

Publicado em 15 mar 2024, às 15h35. Atualizado às 18h14.
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Cinco anos e cinco meses após o assassinato do jogador Daniel Corrêa Freitas, 24 anos, registrado em outubro de 2018, os sete réus acusados do crime vão a júri popular. Seis deles chegaram a ser presos pelo crime, mas a maioria responde em liberdade. Apenas Edison Brittes, réu confesso do homicídio, e Eduardo Henrique Ribeira da Silva permanecem na cadeia. Eduardo havia sido solto, mas foi detido novamente há 3 anos, por tráfico de drogas, em Foz do Iguaçu.

O júri está marcado para o próximo dia 18 de março. Sentam no banco dos réus Edison Brittes Júnior, a esposa, Cristiana Rodrigues Brittes, a filha, Allana Emilly Brittes, além dos amigos de Allana, David Willian Vollero Silva, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King e Evellyn Brisola Perusso.

Veja a linha do tempo de todo o caso Daniel Corrêa e família Brittes:

Outubro de 2017

17 anos

O jogador Daniel Corrêa Freitas participa do aniversário de 17 anos de Allana Brittes.

26/10/2018

São Paulo – Curitiba

Daniel viaja à capital paranaense para participar do aniversário de 18 anos de Allana.

26/10/2018 – Aniversário de Allana Brittes

Aniversário na balada

A jovem Allana Brittes comemorou o aniversário de 18 anos com uma grande festa em uma balada sertaneja em Curitiba. Além dos amigos, os pais da jovem, Cristiana e Edison Brittes, estavam na festa. Entre os convidados estava o jogador de futebol Daniel Corrêa Freitas, 24 anos. A festa transcorreu sem problemas e acabou de madrugada.

27/10/2018 – São José dos Pinhais

After

Depois da festa, já com o dia amanhecendo, a aniversariante e alguns amigos decidiram continuar as comemorações na casa da família Brittes, em São José dos Pinhais, e Daniel foi junto.

O estopim

Foto na cama

Durante a comemoração na casa, Cristiana Brittes foi dormir. Daniel foi até o quarto e se deitou na cama com a mulher. Ainda, fez uma foto com ela dormindo e mandou aos amigos em um grupo de WhatsApp.

Início das agressões

Flagra

Em vídeo gravado pela defesa da época, Edison relatou que teria encontrado a porta do quarto de Cristiana trancada e arrombou para entrar. Ele disse que encontrou Daniel com Cristiana e começou a agredir o jogador, que estava bastante alcoolizado. Depois, Daniel foi colocado no porta-malas de um carro e levado até um matagal em São José dos Pinhais. Conforme as investigações, David Vollero, Eduardo Henrique da Silva e Ygor King acompanharam Edison no trajeto. Antes de sair, Edison pegou uma faca.

Pênis decepado

Colônia Mergulhão

Não muito longe da casa da família Brittes, Edison encontrou um matagal ermo. Ele relatou que pediu a ajuda dos outros suspeitos para retirar Daniel do porta-malas. No local, Daniel teve o pescoço cortado com a faca e o pênis decepado. O órgão genital foi encontrado enroscado em um galho de árvore. Edison afirmou na época que, apesar dos rapazes terem ido com ele até lá, ele que matou Daniel.

Telefonema – 27/10/18

“Teatro”

A mãe de Daniel Corrêa telefonou para Allana Brittes, preocupada, porque o filho não respondia mensagens e ligações. Allana afirmou que ele esteve na festa, que transcorreu tudo bem e que, depois, Daniel saiu sozinho da casa dela.

27/10/2018 – 11h

Corpo localizado

Horas depois do after, um morador da Colônia Mergulhão localizou um corpo de um homem. Ele viu sangue na estrada, seguiu o rastro até o mato e se deparou com o corpo. O morador chamou a polícia.

Limpeza e almoço

Sangue na casa

Na casa, enquanto Edison estava no matagal, a residência foi limpa com a ajuda de Evellyn. Ela relatou que ainda teve que fazer almoço, um strogonoff, antes de ir embora.

Dia 27/10 à tarde

Reconhecimento no IML e nota do São Paulo FC

Com o sumiço do jogador, amigos e familiares começaram a procurar por ele em hospitais. No Instituto Médico Legal (IML), um primo do jogador o reconheceu, morto. Pouco depois, o São Paulo emitiu uma nota confirmando a morte de Daniel. A Polícia Civil começou a investigar o assassinato.

Pêsames

Celular de um homem morto

Neste mesmo dia, Edison Luiz Brittes Júnior, pai de Allana, telefonou à mãe do jogador Daniel para das os pêsames e oferecer ajuda. Dias depois, a Polícia Civil descobriu que a ligação foi feita do celular de um homem assassinado em 2016, também em São José dos Pinhais. Isso acendeu o alerta para o promotor João Milton Sales.

29/10/2018

Reunião no shopping

Edison convocou uma reunião na praça de alimentação de um shopping, com as pessoas que estiveram na casa no momento do crime. Para isso, Allana teria mandado uma mensagem de seu celular, escrito: “quero convidar você para a minha festinha. Da semana que vem. Lá no shopping. Ai comeremos algo”. A intenção era discutir um álibi. No local, segundo as investigações, Edison teria feito ameaças para que ninguém contasse o que houve.

Sepultamento

Adeus

Daniel foi sepultado em Conselheiro Laffayete, em Minas Gerais, onde a família dele morava.

31/10/2018

Assistência técnica de celulares

Edison e Cristiana foram a uma assistência técnica de celulares, solicitando um conserto no aparelho de Cristiana, que segundo o relato dela, apresentava defeito. A lojista contou que a mulher estava muito abatida e se reservou a falar estritamente sobre o aparelho. O celular teve que ficar na loja, para ser pego outro dia. Nesse meio tempo, as notícias de que os Brittes eram suspeitos do crime se espalhou. A lojista reconheceu as imagens do casal na TV e chamou a polícia, para entregar o aparelho, com receio de que houvesse alguma prova ali e o conserto apagasse qualquer prova. Acredita-se que o real motivo deles estarem ali seria a formatação do aparelho. O celular foi entregue à polícia dia 5 de novembro.

31/10/2018

Testemunha chave

Uma das pessoas que estava na casa dos Brittes durante o “after” decidiu contar à polícia tudo o que viu. Ele foi espontaneamente à delegacia. Depois disso, afirma que passou a ser ameaçado.

01/11/2018

Edison é preso

Edison se entregou à polícia e confessou o crime.

02/11/2018

Perícia na casa

Polícia Científica foi à casa da família Brittes realizar uma perícia. Havia manchas de sangue no piso, paredes e no carro de Edison, além dos sinais de tentativas de limpeza do sangue.

Allana e Cristiana presas

Atrás das grades

O delegado Amadeu Trevisan, que conduzia as investigações na época, decidiu prender mãe e filha. No entender dele, as duas “não fizeram nada para conter as agressões contra Daniel. Ou, ainda, ns denunciaram o crime”.

05/11/2018

Allana e Cristiana prestam depoimento

Allana Brites foi interrogada e, entre outras coisas, contou que foi recomendada pelo pai a dizer à mãe do jogador que, depois do after, Daniel saiu da casa da família sozinho, e que não sabia para onde ele tinha ido.
Já Cristiana relatou que bebeu na casa noturna e, quando chegou em casa, foi dormir. Acordou com Daniel deitado na cama com ela. Então começou a gritar. Foi quando Edison entrou no quarto e começou a agredir muito o jogador.

06/11/2018

Bêbado

Laudo aponta que Daniel estava bastante alcoolizado, com 13,4 decigramas de álcool por litro de sangue. Ele não tinha usado outras drogas. Especialistas disseram na época que, com essa concentração de álcool, seria impossível Daniel ter tido ereção, como afirmou Cristiana, muito menos que conseguisse estuprar alguém.

07/11/2024

Interrogatório

Edison foi interrogado formalmente e contou a sua versão sobre o que aconteceu na casa. Disse que queria defender a honra de sua esposa e das mulheres da casa.

Prisão

Participação no crime

Eduardo Henrique da Silva, David Willian e Ygor King foram presos, pela suspeita de participar do assassinato, por estarem no carro junto com Edison.

12/11/2024

Depoimento

Eduardo Henrique da Silva prestou depoimento em 12 de novembro. Disse que saíram da casa dos Brittes com Edison tendo a intenção de decepar Daniel e abandoná-lo. Eduardo afirmou que não participaria disso se soubesse que Daniel seria morto.

09/11/2018

Ficaram no carro

David Willian e Ygor King também prestaram depoimento à polícia. Confirmaram que estiveram no carro junto com Edison e Eduardo, porém não saíram do veículo. Apenas Edison e Eduardo saíram do carro e teriam cometido o crime na Colônia Mergulhão, segundo o relato deles. Edison ainda teria trocado as roupas sujas de sangue e as abandonado em um riacho.

15/11/2018

Gêmeo

Eduardo Purkote Chiuratto, um dos gêmeos idênticos que estavam na casa dos Brittes foi preso. Ele foi tido como suspeito de quebrar o celular do jogador, arrombar a porta do quarto de Cristiana, agredido o jogador dentro e fora da casa e também pego a faca na cozinha da casa. Mais tarde, acabou saindo do rol de suspeitos.

21/11/2018

Inquérito concluído

Mesmo faltando alguns laudos do IML no inquérito, o delegado Amadeu Trevisan concluiu a investigação, afirmando que havia provas, robustas suficientes. E que os laudos, quando chegassem, apenas confirmariam os levantamentos. Sete pessoas foram indiciadas.

22/11/2018

Causa da morte

Um laudo do IML revelou detalhes importantes para a polícia esclarecer quem participou do crime. Primeiramente, o laudo revelou que Daniel morreu pela degola parcial. Segundo, havia marcas no corpo demonstrando que ele foi arrastado por mais de uma pessoa do carro até o local onde o cadáver foi localizado. Depois disso, Eduardo confessou que ajudou a arrastar o corpo, mas que não matou o atleta.
O laudo só não foi conclusivo em relação ao decepamento do pênis, se ocorreu antes ou depois de Daniel morrer pela degola.

27/11/2018

Denúncia

Ministério Público ofereceu denúncia contra os sete indicados no inquérito.

07/08/2019

Allana Brittes deixa a cadeia

Justiça determinou a soltura da jovem.

12/09/2019

Soltos

Cristiana, Eduardo da Silva, Ygor King e David Willian têm a prisão preventiva revogada. Eles passam a responder ao processo em liberdade.

15 a 17/08/2019

Audiências de instrução e julgamento

A juíza Luciani Regina de Paula passou a ouvir todas as testemunhas e réus do caso.

28/02/2020

Sentença de pronúncia

Justiça pronunciou os sete réus para irem a júri popular.

Crimes

Veja os crimes que cada um responde:

Edison Brittes Júnior

Homicídio triplamente qualificado: (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima)
Ocultação do cadáver
Fraude Processual
Corrupção de menor
Coação do curso do processo

Cristiana Rodrigues Brittes

Fraude Processual
Corrupção de menor
Coação do curso do processo

Allana Emilly Brittes

Fraude Processual
Corrupção de menor
Coação do curso do processo

David Willian Vollero Silva

Homicídio triplamente qualificado: (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima)
Ocultação do cadáver
Fraude Processual

Eduardo Henrique Ribeiro da Silva

Homicídio triplamente qualificado: (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima)
Ocultação do cadáver
Fraude Processual
Corrupção de menor

Ygor King

Homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima)
Ocultação do cadáver
Fraude Processual


Evellyn Brisola Perusso

Fraude processual

Fevereiro 2023

Renúncia

O advogado Cláudio Dalledone Júnior, que vinha defendendo a família Brittes desde o início, renunciou à defesa dos réus.

Quatro juízes

Mudança

Quatro juízes já passaram pelo processo do caso Daniel Corrêa. A juíza Luciani Regina Martins de Paula, que acompanhou o processo desde o início, pediu afastamento do caso em junho de 2022. Ela declarou-se impedida para atuar “por motivos de foro íntimo”. Igualmente fez o juiz substituto, Diego Paolo Barausse.

Depois, foi nomeado o juiz Takao Toda, que também pediu afastamento do processo. Em seguida, entrou Guilherme Moraes Nieto. Por último, foi nomeado o juiz Thiago Flôres Carvalho.

03/02/2024

Justiça marcou o júri dos sete réus do caso para 18 de março de 2024.

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