Alunos de uma autoescola tradicional de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, foram pegos de surpresa após o estabelecimento encerrar as atividades sem aviso prévio, deixando várias de pessoas sem aulas, provas agendadas e sem qualquer orientação sobre reembolso ou continuidade do processo de habilitação.

Até o dia 23 de dezembro, o funcionamento era considerado normal. No entanto, no início de 2026, os alunos encontraram o local fechado e uma placa colada na porta com o aviso:
“Informamos que as atividades da autoescola estão suspensas por encerramento operacional. Todas as orientações administrativas e legais serão divulgadas pelos canais oficiais no momento oportuno”.
Desde então, os contatos com a empresa não têm retorno.
Nesta semana, diversos alunos relataram que tentaram falar com a autoescola por telefone e mensagens, sem sucesso. Alguns chegaram a ir ao Detran para realizar provas práticas, mas descobriram que não havia instrutor nem veículo cadastrados, o que impediu a realização dos exames.
Alunos da autoescola em São José dos Pinhais encontram instituição fechada sem aviso prévio
É o caso de Lucas, que pagou quase R$ 2 mil pelo curso e estava próximo de concluir o processo. Faltavam apenas oito aulas práticas e o agendamento das provas. Agora, ele não sabe como proceder.
“É difícil, né? Preciso de uma resposta pra saber o que fazer. Senão, eu quero meu dinheiro de volta. Quero muito dirigir pra ajudar meu pai, ele não quer mais dirigir por ter muita dor nas costas”, desabafa.
A situação causou ainda mais revolta pelo fato de a autoescola atuar há muitos anos na cidade. Leila, que fez aulas no local há 13 anos sem problemas, decidiu matricular a filha confiando na reputação da empresa. Mais de R$ 2 mil foram pagos. A jovem concluiu as aulas teóricas e estava prestes a agendar a prova do Detran quando veio a surpresa.
“Mandamos mensagem para marcar a prova e recebemos uma resposta automática, a mesma que está na porta. Aí os próprios alunos começaram a se falar entre si”, conta.
Funcionários também relatam prejuízos, sem salários ou benefícios pagos após fechamento
Além dos alunos, funcionários também afirmam ter sido prejudicados. Ricardo Chileno da Cruz, instrutor que trabalhou na autoescola por 16 anos, relata que não recebeu salários, FGTS, 13º nem férias.
“O dono fez uma reunião dizendo que a empresa estava passando por um momento ruim, mas que era só uma fase. Disse que a equipe precisava chegar junto. Então não era pra fechar, né? Agora ele bloqueou todo mundo e disse que só vai falar judicialmente”, afirma.
Proprietário da autoescola de São José dos Pinhais se recusa a conceder entrevistas sobre a situação
Procurado pela Ric RECORD, o proprietário da autoescola informou que não está concedendo entrevistas no momento e que a situação está sendo organizada com apoio contábil e jurídico, acrescentando que qualquer manifestação pública será feita de forma oficial.
O Detran-PR também foi procurado, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
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