A Polícia Civil do Paraná (PCPR) explicou, em entrevista à RIC Record, o relato de Roberto Farias Thomaz, que estava desaparecido no Pico Paraná desde quinta-feira (1°). O rapaz foi encontrado com vida em Antonina, no litoral do Paraná. Glaison Lima, delegado responsável pelo caso, conversou com o rapaz após ele ser localizado e detalhou as informações obtidas durante o depoimento.

Segundo a polícia, as buscas foram intensificadas por cerca de cinco dias e envolveram forças de segurança, equipes de resgate, voluntários e trilheiros. O jovem foi encontrado em um ponto distante da rota inicial, o que motivou a apuração das circunstâncias do desaparecimento e a verificação da possibilidade de crime.
Jovem que estava desaparecido no Pico Paraná foi encontrado consciente
De acordo com o delegado, após o resgate, o jovem estava consciente e conseguiu relatar toda a trajetória feita desde a saída de casa até o momento em que se perdeu.
“Ele estava completamente consciente, falando de detalhes desde o momento em que saiu de casa para encontrar a amiga, pegar o Uber, depois o ônibus, chegar em Campina Grande do Sul, toda a trajetória da subida, onde acampou e como se perdeu no retorno”, afirmou.
A investigação apontou que o rapaz passou mal apenas durante a subida do Pico Paraná, quando apresentou vômito e precisou de apoio do grupo. Conforme a apuração, nesse momento, uma integrante seguiu em ritmo mais rápido com o objetivo de ver o nascer do sol, enquanto os demais continuaram juntos. O grupo voltou a se reunir no ponto conhecido como cume.
O desaparecimento ocorreu durante a descida. O jovem retornava acompanhado pela amiga Thayane Smith, quando ambos se confundiram em um trecho de pedras. No caminho, encontraram três corredores que também faziam a trilha. A jovem passou a acompanhar os corredores, enquanto o rapaz seguiu em ritmo mais lento.
Segundo o delegado, houve um momento em que um dos corredores ultrapassou o jovem. “Quando foi oportunizada a possibilidade de um passar na frente do outro, o último corredor passou na frente do Roberto. A última pessoa que teve contato com ele não foi a Thayane, foi o corredor, que já foi identificado e ouvido”, explicou.
Rapaz escolheu caminho incorreto
Após ficar para trás, o jovem chegou a uma bifurcação e escolheu o caminho incorreto. Ele relatou à polícia que acreditou que, ao seguir por uma descida com água, chegaria à base da trilha, semelhante à cachoeira existente no início do percurso. No entanto, essa rota levava em direção ao município de Antonina.
“Como lá na base, na subida do pico, lá na base mesmo, você tem uma cachoeira, ele acreditou que, descendo essa água, de acordo com ele, ele chegaria naquela base lá embaixo. Porém, quando ele começou a descer, era muita coisa, eram muitos quilômetros descendo, e ele foi rumo acreditando nessa história dele mesmo, de que poderia chegar nessa base, só que na verdade, esse ponto daria lá em Antonina”, relatou o delegado.
Durante cerca de quatro dias, o rapaz seguiu pelo curso do rio. Conforme o depoimento, ele não levava alimentos, estava apenas com uma faca, as roupas do corpo e uma blusa. O delegado relatou que o jovem contou ter se mantido apenas com água durante o período.
“Ele falou que passou os quatro dias à base de água, que teve momentos em que foi levado pela correnteza, mas conseguiu se segurar na vegetação”, disse.
Jovem que estava desaparecido no Pico Paraná dormiu no mato
Ainda de acordo com a polícia, o jovem precisou, em vários trechos, caminhar dentro da água por não haver passagem em solo firme. Durante esse período, dormiu no chão, sob vegetação, em pequenas cavidades entre pedras ou ao ar livre, até continuar seguindo o rio abaixo.
A Polícia Civil também esclareceu a questão dos pertences do jovem. Conforme apurado, ele deixou mochila, barraca, documentos e o celular no primeiro ponto de acampamento da trilha, prática comum entre trilheiros para evitar carregar peso até o pico. O aparelho estava molhado e sem possibilidade de recarga.
Sobre o andamento da investigação, o delegado afirmou que o inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias do desaparecimento e a possível existência de infração pena.
O relatório final do caso está em fase de conclusão. Conforme a Polícia Civil, se as informações permanecerem consistentes, a tendência é que o inquérito seja finalizado sem indícios de crime, com pedido de arquivamento.
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