Curitiba - A operação que tenta localizar o jovem de 19 anos que se perdeu nas trilhas do Parque Estadual do Pico Paraná no réveillon é liderada pelo Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), unidade especializada do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR). Criado em 2006, o grupo atua principalmente em missões de busca e salvamento em ambientes extremos, exigindo alto nível técnico, preparo físico e resposta rápida.

O GOST é formado por seis oficiais e 44 praças e tem como principal missão a localização e o resgate de vítimas, tanto em terra quanto na água. A unidade é referência em buscas com e sem o auxílio de cães, além de operações de mergulho para localização de pessoas e objetos submersos. A sede do grupo fica no bairro Cajuru, em Curitiba, onde também funciona o canil central do CBMPR, que abriga 12 dos 24 cães de busca ativos no Paraná.
Com o passar dos anos, a atuação do GOST foi ampliada para atender desastres de grande proporção. O grupo passou a integrar operações nacionais em tragédias como as enchentes no Rio Grande do Sul e no rompimento da barragem em Brumadinho (MG).
Hoje, o GOST é especializado em resgate em estruturas colapsadas, desabamentos, enchentes, deslizamentos de terra e apoio técnico em atendimentos envolvendo tentativas de suicídio.
Prontidão permanente e resposta estratégica
O funcionamento do GOST se baseia em prontidão permanente e resposta estratégica. Na Região Metropolitana de Curitiba, a unidade atua como primeira resposta em ocorrências de maior complexidade.
No interior do Paraná, o grupo é acionado para reforçar e apoiar as equipes locais sempre que a situação exige conhecimento técnico específico ou equipamentos especiais. Como no caso de Rio Bonito do Iguaçu, no Oeste do Paraná, que teve a maioria das casas da cidade derrubada por um tornado em novembro do ano passado.
Além das operações diretas, o GOST coordena a Força-Tarefa de Resposta a Desastres do Corpo de Bombeiros. Composta por cerca de 120 bombeiros de diferentes regiões do estado, a Força-Tarefa é mobilizada em situações de calamidade pública dentro e fora do Paraná.
A rotina no GOST difere das demais unidades operacionais. Os acionamentos são menos frequentes, mas as missões costumam ser longas e imprevisíveis, podendo durar horas ou até dias, especialmente em buscas por pessoas desaparecidas, como no caso do Pico Paraná, onde o GOST atua há quatro dias. Muitas ocorrências exigem deslocamentos imediatos, inclusive fora do horário regular de expediente.
Como é o treinamento do GOST e quem pode entrar
O ingresso no grupo é voluntário e depende de uma seleção rigorosa. Os bombeiros precisam ter cursos específicos em áreas como resgate em montanha, mergulho, salvamento em estruturas colapsadas e ambientes confinados, além de apresentar perfil psicológico adequado e disponibilidade pessoal e familiar para missões prolongadas.
A capacitação é contínua. Os integrantes passam por treinamentos diários e por exercícios mensais de nivelamento, que duram cerca de uma semana. O grupo também participa e ministra cursos em todo o país, mantendo o padrão técnico elevado.
Para dar suporte às operações, o GOST conta com 12 viaturas, incluindo veículos de grande porte para transporte de equipamentos e cães, embarcações para operações aquáticas e uma unidade móvel equipada como posto avançado de comunicação, com transmissão de dados via satélite, essencial para atuações em áreas remotas.
As demandas atendidas pelo GOST variam conforme a época do ano. No período mais frio, cresce o número de ocorrências em áreas de montanha, trilhas e matas, com registros de quedas e pessoas perdidas.
Já nos meses mais quentes, aumentam os atendimentos em rios, lagos, cavas e no litoral, principalmente em casos de afogamento e buscas submersas.
As ocorrências envolvendo tentativas de suicídio são atendidas durante todo o ano, reforçando o papel estratégico e permanente do grupo dentro da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná.
Jovem está desaparecido no Pico Paraná há 4 dias
As buscas pelo jovem desaparecido no Parque Estadual Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, entraram no quarto dia neste domingo (4). Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, subiu a montanha na véspera do Ano Novo junto com uma amiga que tinha recém-conhecido. Ele passou mal durante o ataque ao cume do Pico Paraná. Tinha, segundo uma testemunha, sinais evidentes de exaustão física e desidratação.
A colega que o acompanhava o deixou para trás, tanto na subida quanto na descida porque ele estaria “mais lento”. Thayane Smith disse que só ficou sabendo do desaparecimento quando já estava em sua barraca no acampamento 1.
Neste domingo, os trabalhos de resgate ganharam o reforço de mais voluntários do Corpo de Salvamento em Montanha (Cosmo) e do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM), além de homens da Polícia Militar Ambiental. Atuam nas buscas 19 bombeiros do GOST e mais 65 voluntários.
As equipes utilizam duas aeronaves (uma para transporte e outra para rastrear a mata, que usa uma câmera térmica) e um drone do Corpo de Bombeiros que opera a partir do cume do Pico Paraná. O GOST informou que os trabalhos de busca neste domingo seguirão até 22 horas.
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