Curitiba - Um idoso de 76 anos foi resgatado após ser mantido em cárcere privado dentro da própria casa pelo filho mais novo, Anderson, e pela nora, Aline, durante cerca de quatro meses, em Curitiba. A vítima, identificada como Antônio Marques, vivia isolada em um quarto sem televisão ou rádio e era proibida de sair do local.

colagem com fotos de Antônio Marques e o filho anderson
Idoso mantido em cárcere privado ainda está se recuperando emocionalmente do trauma (Foto: Reprodução/Ric RECORD)

Idoso mantido em cárcere privado usava a bíblia como refúgio

Segundo relato do idoso, ele era impedido de circular pela casa e recebia alimentação precária. “A comida que eles me davam não servia nem para bicho”, afirmou. Lúcido, Antônio contou que passava os dias lendo a Bíblia para tentar ocupar o tempo.

“Qualquer barulho que aparecia aqui, eles diziam: ‘olha, a polícia vai te prender, fica no quarto’. Para não ficar parado, eu lia a Bíblia”, disse.

Ainda de acordo com o idoso, ele chegou a pedir diversas vezes para sair do quarto, mas o casal não permitia. A principal motivação do crime pode estar relacionada à aposentadoria da vítima. Antônio relatou que ficou cerca de nove meses sem acesso ao próprio dinheiro.

Filho acusado de manter idoso em cárcere privado tentou enganar a polícia

O socorro veio após um vizinho desconfiar da situação e acionar a prefeitura, que comunicou a polícia. Quando os agentes chegaram ao local, o filho e a nora tentaram enganar a equipe, afirmando que o idoso não estava em casa e teria viajado. No entanto, um dos policiais deu a volta no imóvel e encontrou Antônio sendo mantido preso no quarto.

O idoso também afirmou que, ao perceber a presença da polícia, Anderson entrou no quarto e tentou tapar sua boca para impedir que ele gritasse por ajuda. A situação foi flagrada pelos agentes, que realizaram o resgate.

O filho mais velho da vítima relatou que também era impedido de manter contato com o pai. “Quando eu vinha, eles diziam que ele estava viajando ou trabalhando”, contou.

Mesmo após tudo o que viveu, Antônio diz ainda pensar no filho.

“Ele é sangue do meu sangue. Estou pensando em levar roupas e uma manta para ele no presídio, mas não sei se vou levar. Estou muito magoado. Se ele me pedir perdão, eu não vou perdoar”, afirmou.

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Jessica Ibrahin

Repórter

Jéssica Ibrahin é formada em Jornalismo e pós-graduada em Ciência Política pela UNICAP. Atuou em redações de rádio, TV e portais de notícia, com experiência em entrevistas e reportagens sobre política, cultura e comportamento.

Jéssica Ibrahin é formada em Jornalismo e pós-graduada em Ciência Política pela UNICAP. Atuou em redações de rádio, TV e portais de notícia, com experiência em entrevistas e reportagens sobre política, cultura e comportamento.