No quarto dia de buscas no Pico Paraná, o Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) do Corpo de Bombeiros do Paraná utiliza um helicóptero equipado com câmera térmica para tentar encontrar Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que desapareceu após passar o réveillon com uma amiga nas trilhas. O equipamento é capaz de captar, do alto, o calor emitido por pessoas, animais, objetos e ambientes, transformando as variações de temperatura em imagens visíveis.

As câmeras térmicas são amplamente utilizadas por forças de segurança e equipes de resgate em buscas noturnas, incêndios e operações em áreas de difícil acesso, como o Parque Nacional do Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Grande Curitiba, onde Roberto se perdeu. A aeronave pertence ao Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA), que auxiliar nos trabalhos de busca.
Passados quatro dias do desaparecimento, o comandante do GOST, major Ícaro Gabriel Greinert, informou que as equipes já vasculharam todas as trilhas conhecidas e a hipótese que trabalham nesse momento é que Roberto esteja perdido na mata fechada.
“Todas as trilhas que ele pudesse estar machucado ou perdido já foram batidas. Então, na nossa avaliação, ele não está mais numa área de trilhas, está em área de mato. A gente está em uma fase bastante complexa, que é tentar localizá-lo dentro do mato aqui no parque”, explicou o comandante do GOST, major Ícaro Gabriel Greinert.
O major Greinert disse que é muito fácil se perder da trilha no Pico Paraná quando o montanhista tem pouca ou nenhuma experiência.
“As trilhas são bem demarcadas aqui, mas a pessoa que não é experiente muitas vezes acaba pegando saídas para pequenos córregos ou rios imaginando que aquilo ali é uma trilha. Geralmente no sentido de descida e vai indo, se embrenhando no mato e quando percebe está perdida”, disse o major Greinert.
As equipes de resgate não descartam a hipótese de que ele esteja ferido em algum local e com dificuldades de se locomover, daí a importância do uso da câmera térmica.
Neste domingo (4), os trabalhos de resgate ganharam o reforço de mais voluntários do Cosmo (Corpo de Salvamento em Montanha) e do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM), além de homens da Polícia Militar Ambiental. “Nós temos 65 voluntários trabalhando coordenados conosco e mais 19 bombeiros”, afirmou o comandante do GOST.
As equipes utilizam duas aeronaves (uma para transporte e outra para rastrear a mata, que usa a câmera térmica) e um drone do Corpo de Bombeiros que opera a partir do cume do Pico Paraná. O GOST informou que os trabalhos de busca neste domingo seguirão até 22 horas.
Buscas contam com câmera térmica: como funciona?
O funcionamento da câmera térmica acoplada à aeronave do BPMOA se baseia na detecção da radiação infravermelha, liberada naturalmente por qualquer corpo com temperatura acima do zero absoluto. Essa radiação é captada pela lente da câmera e direcionada a um sensor térmico, geralmente um microbolômetro, responsável por converter o calor em sinais elétricos.
Esses sinais são processados por um sistema interno, que gera a chamada imagem térmica ou termograma. Na tela, as diferenças de temperatura aparecem representadas por cores: tons mais quentes, como vermelho e amarelo, indicam áreas de maior calor, enquanto tons frios, como azul e roxo, correspondem a temperaturas mais baixas.
Além de operações de salvamento, o equipamento também é aplicado na indústria, para identificar falhas elétricas e vazamentos, e na área da saúde, em triagens térmicas.
Apesar da eficiência, o recurso possui limitações. A câmera térmica não permite ver através de paredes ou objetos sólidos e não reproduz detalhes visuais como rostos ou cores reais — apenas diferenças de temperatura. Ainda assim, a tecnologia é considerada uma ferramenta estratégica em situações que exigem rapidez, precisão e atuação em ambientes adversos.
Jovem desaparece no Pico Paraná
Roberto Farias Thomaz está desaparecido desde a manhã de quinta-feira (1º), após passar o réveillon com uma amiga no Pico Paraná. Os dois se conheceram há pouco tempo e se encontraram algumas vezes antes de se aventurarem na montanha.
Após o desaparecimento, a jovem gravou vídeos sobre como aconteceu a ocorrência. A amiga relatou que Roberto passou mal durante a trilha e, por mais que tenha sido aconselhada a não deixar o jovem sozinho, ela voltou até o acampamento sem ele.
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