Testemunhas negam que a suspeita apontada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) seja a autora dos disparos contra uma criança em Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana do Paraná. A divergência de versões tem gerado questionamentos sobre o andamento da investigação, que inicialmente foi apresentada como praticamente concluída.

Em um primeiro momento, a Polícia Civil afirmou que o crime estava praticamente esclarecido. O delegado Bradok, da PCPR, declarou que o caso estava quase resolvido.
No entanto, uma das vítimas do ataque contesta essa versão. Adeiqson de Almeida afirma que ele outras duas testemunhas não foram ouvidos pela polícia durante a investigação.
Para a Polícia Civil, Amanda teria sido a responsável por armar a emboscada e agir sozinha. O delegado Bradok afirma que a mulher confessou o crime e que, para a corporação, não há dúvidas sobre a autoria.
“Ela ia assumir uma bronca que ia dar uns 20 prisão para ela de graça, sozinha, com filho para criar? Você acha que tem fundamento ela assumir uma bronca dessa? Nem o marido dela ia deixar ela assumir”, disse o delegado Bradock.
A testemunha, porém, apresenta uma versão diferente. Adeiqson relata que viu quem efetuou os disparos e garante que não era uma mulher. Segundo ele, dois homens estariam dentro do carro no momento do ataque.
“Na hora que ele abriu a janela, que eu vi que era um homem moreno, de boné na cabeça, com a tatuagem no braço, ele já começou a efetuar o disparo no carro”, revelou.
Diante das versões contraditórias, delegado e vítima ficaram frente a frente em uma reportagem da Ric RECORD.O encontro resultou em um confronto de versões. A conversa foi intermediada pelo repórter Tiago Silva e rapidamente se transformou em um debate. Após a longa conversa, o delegado afirmou que a testemunha será ouvida.
O caso não está solucionado e a investigação não foi encerrada, como havia sido informado anteriormente. Há questionamentos em aberto, entre eles quem, de fato, efetuou os disparos contra as vítimas.
Entenda o caso
A criança de apenas dois anos foi baleada na manhã de segunda-feira (12), enquanto o pai dirigia ao fórum municipal para participar de uma audiência. Entretanto, durante o trajeto, a família foi surpreendida por uma emboscada e disparos vindos de um Ford Fiesta prata.

A avó da bebê, que também estava no carro que foi alvo dos tiros, conta como tudo aconteceu.
“A gente estava indo na delegacia em Bocaiúva, para o meu marido depor após um assalto contra um senhor de idade, e caluniaram meu genro, que ele tinha envolvimento. Quando gente saiu, o carro estava lá. Encostaram o carro do lado e começaram a atirar, uns seis tiros. Era pra ter morrido tudo mundo”, detalha Ana Regina de Paula Santos, em entrevista à Ric RECORD.

Ana Regina conta, ainda, que gritou para os atiradores que havia uma criança no interior do veículo, mas que o apelo foi em vão.
“Falei ‘olha a criança’, mas não adiantou, atiraram sem dó. O tiro foi perto da orelhinha dela e saiu pelo nariz. Meu genro foi baleado no braço, duas vezes”, completa a avó.
Mulher confessa ter efetuado disparos contra criança
Uma mulher, suspeita de atirar contra a cabeça de uma criança, de dois anos, em Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, apresentou-se à delegacia e confessou o crime. Conforme a Polícia Civil do Paraná, o alvo era o pai do pequeno que dirigia o carro quando a situação ocorreu. A criança estava no banco de trás.

De acordo com a suspeita, que também conduzia um outro veículo no momento do crime, disse que efetuou os disparos para se vingar da morte do avô, Wilson dos Reis Lourenço, de 72 anos, que foi brutalmente agredido durante um assalto. O pai da criança é o suspeito pela morte do idoso.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a mulher relatou que adquiriu o armamento próximo ao Terminal do Guadalupe, na região central de Curitiba. Ela realizou disparos de teste e planejou a ação.
“Comprou a arma, deu uma treinadinha, planejou o atentado, foi lá e fez o que tinha que fazer”, disse o delegado à Ric RECORD,

Mulher confessa ter treinado antes de efetuar disparos contra criança
A mulher informou que pagou R$ 3.500 pela arma. Parte do valor, segundo ela, foi obtida com recursos que tinha em um jogo de aposta.
Ainda conforme o depoimento, foram compradas 12 munições. Cerca de quatro teriam sido usadas para testes, enquanto oito foram separadas para a execução do crime. Durante a ação, a mulher disparou aproximadamente quatro vezes contra o veículo.
O carro utilizado era do marido da mulher e foi abandonado em outra cidade, em Itaperuçu. De acordo com o marido, ela tentou contar uma outra versão sobre os fatos em casa, mas acabou confessando o crime
Veja a reportagem completa
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