Um mês após ser torturada e mantida em cárcere privado por cerca de 12 horas pelo então namorado, Renan Walflor, a dentista Kauany Tonndorf, de 24 anos, ainda convive com as marcas físicas e psicológicas da violência. O caso aconteceu em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Desde então, ela relata que não consegue mais sair de casa sozinha e depende da companhia da família até mesmo para ir a consultas médicas.

colagem com fotos da dentista Kauany Tonndorf
A denúncia feita por Kauany ganhou grande visibilidade após a jovem relatar violência no Balanço Geral (Foto: Reprodução/Ric RECORD)

Segundo o pai da jovem, Valnei Moreno Tonndorf, a rotina da família mudou completamente após o episódio. “Hoje mudamos a nossa rotina. Ela não sai mais sozinha. Antes de sair, a gente olha a rua, dá uma vigiada”, relata.

A mãe de Kauany, Valdirene Golveia de Souza, é profissional da saúde e estava de plantão no dia das agressões. Ela contou que encontrou a filha já na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), para atendimento médico.

“Quando ela chegou na UPA com aqueles hematomas, chegando lá para eu atender, eu não aguentei. Como mãe, a gente sofre muito de ver uma filha assim”, desabafa.

Kauany afirma que revive constantemente os momentos de violência. “Não tem um dia sequer que eu não lembre de cenas, de frases, de momentos. Eu fico revivendo”, conta.

Dentista relata problemas de saúde após agressões

Além do trauma psicológico, a dentista sofreu sequelas físicas graves. Ela relata tonturas frequentes e perda auditiva do lado direito. “Com os socos, ele estourou toda a parte interior do meu tímpano. Existe uma chance com cirurgia, mas é uma porcentagem mínima”, explica.

Relembre o caso da dentista torturada em Pinhais

De acordo com a Polícia Civil do Paraná (PCPR), Kauany procurou a corporação após as agressões ocorridas no dia 7 de dezembro. Ela relatou que foi mantida em cárcere privado por aproximadamente 12 horas, período em que foi torturada e espancada com socos, chutes, puxões de cabelo e chineladas, além de ter sofrido injúrias e ameaças de morte. As agressões só cessaram quando a vítima conseguiu fugir da residência.

Segundo a polícia, este não foi o primeiro episódio de violência. Nos dias 3 e 4 de dezembro, Kauany já havia sido agredida e violentada pelo suspeito. Em uma das ocasiões, teve a cabeça arremessada contra um espelho, o que provocou perda temporária da visão e da audição do lado direito.

Em entrevista, a dentista contou que conheceu o agressor na academia. No início do relacionamento, ele se mostrava atencioso e cuidadoso. No entanto, após cerca de dois meses, quando passou a morar com ele, começaram os episódios de controle e violência.

Segundo a vítima, o companheiro passou a interferir na forma como ela se vestia para treinar, proibindo o uso de shorts e tops, comportamento que ele justificava como “zelo” e “proteção”. Com o tempo, as restrições se intensificaram. Kauany foi impedida de realizar trabalhos como modelo fotográfica, teve o uso das redes sociais controlado, era monitorada constantemente por meio da localização do celular e chegou a ter rastreadores instalados no carro. Além disso, foi afastada da família e de pessoas próximas.

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Jessica Ibrahin

Repórter

Jéssica Ibrahin é formada em Jornalismo e pós-graduada em Ciência Política pela UNICAP. Atuou em redações de rádio, TV e portais de notícia, com experiência em entrevistas e reportagens sobre política, cultura e comportamento.

Jéssica Ibrahin é formada em Jornalismo e pós-graduada em Ciência Política pela UNICAP. Atuou em redações de rádio, TV e portais de notícia, com experiência em entrevistas e reportagens sobre política, cultura e comportamento.