As cores das bandeiras fincadas na areia das praias vão além da sinalização visual e são determinantes para a segurança de quem entra no mar. Em entrevista ao Portal Ric, a capitã Tamires , do Corpo de Bombeiros, explicou o significado de cada cor, como funcionam as áreas protegidas por guarda-vidas e quais cuidados os banhistas devem adotar ao acessar o mar no litoral do Paraná.

Atenção com as cores das bandeiras nas praias
De acordo com a capitã, as bandeiras mais importantes são as que delimitam as áreas monitoradas. A bandeira vermelha sobre a amarela marca o início e o fim do trecho protegido pelos postos de guarda-vidas, enquanto a bandeira preta indica locais que não contam com cobertura de salvamento.
“As bandeiras mais importantes são a de sinalização do posto, que é onde começa e onde termina a área protegida, e também a bandeira de sinalização preta, que indica onde não é área protegida”, explicou.
Ainda conforme a capitã, as demais cores funcionam como indicadores das condições do mar, de forma semelhante a um sistema de sinalização. A bandeira vermelha aponta cenário de risco, com presença de ondas intensas, mar volumoso e possibilidade de correntes de retorno, exigindo que o banhista avalie com atenção se deve ou não entrar no mar naquela condição. A bandeira amarela, predominante no litoral do Paraná, indica atenção, principalmente devido à formação de buracos e correntes que surgem e se dissipam ao longo do dia. Já a bandeira verde representa condições mais favoráveis, com pouca ou nenhuma onda e mar mais tranquilo.
Sobre a profundidade segura, a capitã explicou que não há uma distância ou metragem padrão, já que isso varia conforme o perfil de cada praia. Em locais como Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, por exemplo, o banhista pode caminhar mais antes de perder o contato com o solo, enquanto em trechos da Praia Mansa a profundidade aumenta rapidamente. A principal referência deve ser o próprio corpo do banhista.
“Água na barriga é sinal de perigo. Chegou até ali, já está bom”, afirmou.
A capitã também esclareceu que praias sem ondas aparentes não são, necessariamente, mais seguras. No caso da Praia Mansa, a ausência de ondulação transmite sensação de tranquilidade, mas o local apresenta buracos no fundo e pontos onde a água aprofunda de forma repentina. Além disso, a presença de pedras aumenta o risco, já que ao redor delas se formam correntes de retorno capazes de puxar o banhista para áreas mais profundas e até em direção às rochas.
Não é possível classificar quais praias são mais seguras e perigosas
Segundo a capitã, não é possível classificar praias como mais ou menos perigosas de maneira fixa, já que as condições mudam conforme fatores naturais, como maré e fases da lua. Por isso, a recomendação é sempre procurar a área protegida pelos guarda-vidas, que acompanham a tábua da maré, a amplitude da água e a intensidade das correntes, além de facilitar a identificação visual das correntes de retorno.
Em situações de afogamento, a orientação é não tentar um resgate direto sem treinamento ou equipamentos adequados, mesmo que a pessoa saiba nadar. A capitã explicou que a vítima tende a agir por instinto de sobrevivência, o que pode colocá-la em vantagem física momentânea e gerar risco adicional para quem tenta o salvamento.
“Mesmo um bom nadador, se ele não tiver treinamento físico e equipamento adequado, ele pode não conseguir salvar outra pessoa”, alertou.
Em caso de perigo, ligue para o 193
A conduta indicada é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, manter a calma para informar a localização correta e, se possível, lançar um objeto flutuante para ajudar a vítima a se manter na superfície. Em áreas com postos, a recomendação é buscar o grupo de guarda-vidas mais próximo e sinalizar a ocorrência.
Durante a temporada, o Corpo de Bombeiros reforçou o efetivo no litoral paranaense, com mais de 900 guarda-vidas, entre civis e militares, distribuídos em 110 postos ao longo das praias. Com isso, segundo a capitã, o banhista consegue identificar e acessar áreas seguras com facilidade.
“O ideal é que o banhista procure a área protegida”, orientou.
As áreas com postos podem ser identificadas tanto pela bandeira vermelha sobre a amarela na faixa de areia quanto pelo site do Corpo de Bombeiros, que disponibiliza um mapa interativo com a localização dos postos em todo o litoral.
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