Acusado de apologia ao nazismo na UFPR pede desculpas e diz que áudio não era dele

O aluno diz que é outra pessoa que proferiu a saudação pelo seu celular. O estudante também lamentou a acusação de apologia ao nazismo.

Publicado em 2 maio 2024, às 21h28.
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O estudante de medicina investigado por apologia ao nazismo após ter um áudio divulgado em um grupo saudando Adolf Hitler enviou nota à imprensa pedindo desculpas pelo ocorrido.

Instituição segue apurando suposta apologia ao nazismo por parte do estudante de medicina (Foto: Divulgação/ UFPR)

Segundo o comunicado, o aluno diz que a pessoa que profere a saudação pelo seu celular era um terceiro. Também no documento, o aluno lamenta a situação e diz que apagou o áudio minutos após perceber a gravidade.

O investigado pela UFPR reforça que sempre defendeu a inclusão social e que a mensagem foi compartilhada em tom crítico. “A saudação nazista se deu justamente em um contexto crítico à realidade social brasileira que privilegia determinadas classes sociais em detrimento de outras, fazendo com que os cursos de medicina fiquem restritos a pessoas mais abastadas. Outro áudio, enviado ao mesmo grupo sete minutos antes, evidencia a crítica”, explica.

O estudante de medicina também pediu desculpas públicas a todas as pessoas que se ofenderam com seu comportamento. “O nazismo só deve ser lembrado como algo que não podemos deixar acontecer novamente e jamais faria apologia a um regime que exterminou milhares de inocentes. Fui infeliz em não deixar isso evidente quando encaminhei o áudio, razão pela qual peço sinceras desculpas a todos que se ofenderam. Pretende continuar promovendo a igualdade e a inclusão”, diz parte da nota.

Entenda a acusação de apologia ao nazismo

Um áudio com uma saudação fazendo apologia ao nazismo enviado em um grupo de mensagens de alunos de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) está sendo investigado pela própria instituição.

A mensagem foi compartilhada depois que um outro estudante criticou que não havia negros na recepção de calouros.

Na mensagem o aluno diz “não tem um preto no rolê de vocês. Medicina é cheia de boys”. Foi em resposta a essa publicação que um áudio com a saudação nazista “Heil Hitler” foi compartilhado.

O Grupo RIC conversou com um estudante que participa do grupo de mensagens. Segundo o aluno, foi pedido para que os integrantes tomassem cuidado e pagassem leve nas manifestações naquele espaço. Logo na sequência, enviaram o áudio com apologia ao sistema que defendia o antissemitismo. Também de acordo com este entrevistado, houve revolta por parte de toda a turma de medicina.

Os estudantes que participam do grupo expõe que também ocorrem manifestações em tons racistas e que reverberam outros tipos de preconceito. “Vários alunos começaram a comentar sobre o assunto. Inclusive, alunos que são pessoas com deficiência. Em grupos paralelos falaram de forma discriminatória que havia sido aberta a porta da APAE. Se referindo de uma forma vexatória a essa instituição”, diz o universitário.

Leia a íntegra da nota de desculpas do estudante de medicina

Na qualidade de procuradores do acadêmico de medicina que vem sendo acusado de ter praticado “apologia ao nazismo”, cumpre-nos informar que o envio de um áudio onde terceira pessoa pronuncia uma saudação nazista se deu justamente em um contexto crítico à realidade social brasileira que privilegia determinadas classes sociais em detrimento de outras, fazendo com que os cursos de medicina fiquem restritos a pessoas mais abastadas. Outro áudio, enviado ao mesmo grupo sete minutos antes, evidencia a crítica.

Ainda, o mesmo acadêmico tem em seu histórico uma série de manifestações inclusivas e favoráveis às minorias marginalizadas. Ao perceber o quão grave era pronunciar aquelas palavras, o estudante apagou o áudio poucos minutos depois, o que infelizmente não impediu que o lamentável fato continuasse a repercutir.

Por fim, são palavras do mencionado jovem: ‘Errei ao permitir que um terceiro indivíduo falasse pelo áudio do meu telefone celular e ao não mensurar as consequências de imediato. E sobretudo deixo muito claro o posicionamento de que o nazismo só deve ser lembrado como algo que não podemos deixar acontecer novamente e jamais faria apologia a um regime que exterminou milhares de inocentes. Fui infeliz em não deixar isso claro quando encaminhei o áudio, razão pela qual peço sinceras desculpas a todos que se ofenderam Pretendo continuar promovendo a igualdade e a inclusão’.