Isabel Veloso: especialista explica se jovem com câncer pode adotar filho

Vivian Beraldo, assistente social do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná esclarece as dúvidas sobre adoção

Publicado em 17 maio 2024, às 09h47.
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A influencer Isabel Veloso, de 17 anos, que luta contra um câncer em estágio terminal, chamou atenção nas redes sociais nesta semana ao revelar o desejo de ser mãe. A paranaense foi alvo de diversas críticas por contar o desejo de adotar um bebê, mesmo diagnosticada como Linfoma de Hodgkin.

Isabel Veloso: especialista explica se jovem com câncer pode adotar um filho
De acordo com a especialista, durante o processo de adoção é realizada uma pesquisa com os pretendentes para avaliar a condição geral dos possíveis responsáveis da criança. (Foto: Reprodução/ Instagram)

O caso foi parar nos assuntos mais comentados do X (antigo Twitter). Muitos usuários questionaram se a jovem pode ou não adotar uma criança. 

De acordo com Vivian Beraldo, assistente social do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná e membro da coordenação da Seccional de Londrina/CRESS/PR, uma adoção nesse caso é considerada difícil e complexa.

“É preciso recordar do artigo 39 do ECA, que apresenta a adoção como uma medida irrevogável e excepcional, que deve ser acionada em último caso, depois de uma trajetória de tentativas falhas pelo Estado-Família-Sociedade, de proteção da criança na família de origem, que seria a preferencial. Então é justamente porque esta criança já passou por muitas perdas que a adoção requer redobrada cautela, com compromisso ético-político e competência técnica dos operadores do sistema de garantia de direitos”, explicou a assistena social.

“A adoção é um processo bastante complexo que geralmente pressupõe um histórico de perdas muito sensíveis pelo rompimento com a família de origem”, concluiu Vivian.

Caso Isabel Veloso: pesquisa antes de adoção

Ainda segundo a especialista, durante o processo de adoção é realizada uma pesquisa com os pretendentes para avaliar a condição geral dos possíveis responsáveis da criança.

“Há adversidades que podemos prever com estudos técnicos, desde o processo judicial de habilitação de pretendentes para adoção, antes de se iniciar a aproximação com a criança”, explicou.

Como é feito um estudo técnico para adoção?

Conforme a assistente social do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, o estudo social ou estudo psicológico ocorre em várias etapas. Primeiro ocorre a fase de habilitação dos pretendentes, como uma forma de preparação gradativa.

Na sequência, vem a parte da orientação jurídica e apresentação de documentos, onde são agendadas entrevistas no Fórum.

Além disso, são oferecidos encontros de preparação para pretendentes à adoção, que é uma etapa obrigatória. Por exemplo: visita domiciliar, inserção em encontros em grupo interno de orientação e sugestão de inclusão em grupo externo de apoio à adoção.

“É importante salientar que a perícia não pretende atestar se serão bons pais ou mães, mas se estão preparados para a parentalidade pela via adotiva, dadas as suas complexidades”, esclarece Vivian.

Por fim, acontecem etapas como o plano de aproximação, a guarda para fins de adoção, estágio de convivência e consolidação da adoção judicial. Nesse período, os pais também são acompanhados e avaliados por assistentes sociais e psicólogos, com apresentação de laudos nos processos.

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