Alerta sobre casos confirmados de morcego contagiado por raiva

Atendendo ao pedido dos técnicos do Centro de Controle de Zoonoses – CCZ, a Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu alerta aos empresários da região central da cidade a redobrarem cuidados com morcegos. A medida se justifica pelo fato de ter sido confirmada, laboratorialmente, a ocorrência de dois morcegos com raiva há cerca de um mês. O primeiro foi encontrado nas proximidades da terceira pista da Avenida JK, e o segundo, na Avenida Brasil, próximo da esquina com a Rua Jorge Sanways.

“Os morcegos vivem em colônias populosas, com centenas de exemplares, e como eles têm como hábito se lamber mutuamente, sendo que a saliva é a forma de transmissão da doença, podem surgir mais casos”, observa a Educadora em Saúde do CCZ, Camila Lourini. Ela explica que em Foz do Iguaçu predomina a espécie não hematófaga (ou seja, não se alimenta de sangue e sim frutas e insetos), mas também têm hábitos noturnos. “Se alguém avistar um morcego voando de dia, caído ou desorientado, deve imediatamente acionar o CCZ”, explica o agente de endemias, Edwim Gavilan.

Ela alerta que, em hipótese alguma, o morcego deve ser tocado — vivo ou morto. “O vírus consegue permanecer por bastante tempo no meio ambiente. Em caso de encontro involuntário com morcegos, a orientação é lavar bem o local do ferimento com água e sabão e procure imediatamente o posto de saúde mais próximo. Se o morcego estiver caído, isole-o com um balde e contate o CCZ”, acrescentou Camila.

Os técnicos alertam ainda que esses animais não podem ser abatidos, nem mesmo se forem observados comportamentos estranhos que indiquem a contaminação. “É caracterizado crime ambiental. Nem mesmo nós, do CCZ, podemos capturá-los sem a autorização da justiça quando eles estiverem em árvores. Temos apenas a autonomia para captura quando eles estejam dentro de residências ou empresas”, acrescentou a educadora.

A transmissão da raiva se dá por meio da saliva, e pode ser passada para humanos e animais domésticos.

O animal contagiado tende a fugir da luz, se abster do consumo de água e muita salivação devido ao estreitamento da faringe. “A agressividade surge entre o quarto e o quinto dia após o contágio. Todo o ciclo dura cerca de sete dias, quando o animal contaminado entra em óbito”, ressaltou.

A raiva humana é fatal. A doença foi erradicada no Paraná em 1988, mas em 2002, foi notificado o atendimento de raiva humana em Foz do Iguaçu. “Era um paraguaio que buscou atendimento na cidade”, acrescentou Camila.

 

19 jul 2012, às 00h00.
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