O jeito certo de tomar remédio

Usar corretamente a medicação prescrita pelo médico – e não simplesmente tomá-la de qualquer maneira – é essencial para o sucesso do tratamento. Para que isso aconteça, os pacientes devem levar em conta que os medicamentos são diferentes entre si e, por isso, devem ser tomados de acordo com as indicações recebidas ao sair do consultório e que também estão nas bulas contidas nas embalagens.

A dica é da farmacêutica Silmara Simioni, que trabalha em um dos quatro Núcleos de Apoio em Atenção Primária à Saúde (Naaps) do Distrito Boa Vista da Secretaria Municipal da Saúde.

Assim, em vez de serem simplesmente deglutidos, exemplifica Silmara, comprimidos ou drágeas e cápsulas devem ser tomados com pelo menos meio copo de água. “A indicação não é por acaso. Essa é a quantidade mínima de líquido necessária não só para ajudar na deglutição mas também na  dissolução do medicamento no estômago. Tudo bem se o paciente precisar de uma quantidade maior do líquido”, explica.

No caso das crianças, a gotas das prescrições pediátricas também são melhor absorvidas quando diluídas em água, sem açúcar, em vez de pingadas direto na língua ou dadas em colher.

Água – A água fria é o líquido mais indicado para acompanhar a ingestão de todos os tipos de remédios. Isso porque, esclarece a farmacêutica, há alguns tipos que sofrem reação química sob a ação de leite, suco, refrigerante, café ou chá, comprometendo a sua eficácia e, em conseqüência, o bom resultado do tratamento. Há tipos de antibióticos, por exemplo, que reagem com o cálcio do leite, o que impede que suas substâncias ativas entrem na corrente sanguínea e produzam efeito. “Na dúvida sobre se o remédio que estamos tomando faz parte dessa lista, o melhor é um bom copo de água”, afirma.

A água da torneira, do filtro, fervida ou mineral, limpa e fria, também é a melhor dica para dissolver sais de antiácidos – que devem ser tomados assim que se completar a diluição – e preparar medicamentos em suspensão. Silmara observa que, no caso das suspensões, é necessário preencher o frasco com água até o nível marcado na embalagem. Se ao agitar a mistura resultar espuma, é necessário esperar que ela desapareça para checar se, de fato, a água está no nível indicado. Isso garante a homogeneidade da concentração do medicamento. Feito isso, ele deve ser conservado em geladeira e agitado antes da administração de cada dose.

Outras situações – Os medicamentos para combater a anemia, à base de ferro, fogem à regra. “Não que eles não possam ser ingeridos com água, mas esses itens são melhor absorvidos pelas hemácias (células vermelhas do sangue) quando associados a suco de limão ou laranja, que além de serem ácidos contêm vitamina C”, explica.

Além de tomar seus remédios somente acompanhados dos líquidos mais adequados, há pacientes que precisam observar precauções adicionais. É o caso de quem sofre de hipotireoidismo – disfunção da glândula tireóide que reduz a produção do hormônio tiroxina e que precisa ser suprimida por meio do equivalente sintético. A tiroxina atua somente em jejum – daí a necessidade de o paciente precisar aguardar 1hora antes de tomar o café da manhã.

Quem sofre de refluxo, observa Silmara Simioni, deve observar duas dicas importantes para minimizar o problema: aumentar a quantidade de água usada para tomar os medicamentos – o que ajuda a retê-los no fundo do estômago – e nunca deitar-se logo após ingeri-los. “Temos vários pacientes idosos que tomam medicação para osteoporose e relataram melhora ao seguir essas condutas”, diz.

Segurança – Para quem não é usuário da rede municipal de saúde e compra os seus medicamentos, o cuidado deve começar na hora da aquisição, independente do local onde o consumidor estiver. O objetivo é ajudar o governo a combater a falsificação de medicamentos que, ao invés de ajudar, pode trazer danos à saúde das pessoas.

A primeira dica é nunca se automedicar. De posse da receita médica atual, comprar o produto somente em farmácias – jamais em feiras e camelôs – e exigir nota fiscal. Antes de confirmar a compra, checar se a embalagem está íntegra (sem amassados ou rasgados que possam sugerir que ela foi violada).

Além disso, é importante verificar a data de fabricação e de validade legíveis, película (raspadinha) de segurança e número do lote impresso. Esse número é uma sequência de nove dígitos iniciados pelo algarismo 1 e precedido das letras MS, que significam que se trata de um código expedido pelo Ministério da Saúde. Medicamentos autênticos também trazem o nome do farmacêutico responsável e telefone do fabricante, para tirar possíveis dúvidas.